Rio, 04 (AE) - Pelo menos mais uma pessoa morreu em consequência da chuva que atinge o Rio desde a noite de réveillon - até o fim da tarde de hoje foram registradas 13 mortes. De acordo com a Defesa Civil do Estado, a situação começou a melhorar: o número de desabrigados e desalojados caiu hoje de 6.114 para 4.600 e o de feridos permanece em nove. Choveu menos no Estado e o nível das águas está baixando nas principais cidades atingidas, o que possibilitou o retorno de algumas famílias para suas casas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a chuva fina que caiu hoje deve permanecer amanhã (05) e o sol pode reaparecer na quinta-feira.
A situação mais grave é a do município de Barra Mansa, a 110 quilômetros do Rio, onde cerca de 4 mil pessoas tiveram de deixar suas casas. "O nível do Rio Paraíba do Sul está baixando
mas não sabemos até quando a Represa do Funil vai suportar se continuar chovendo", alertou a prefeita Inês Pandeló (PT), que já havia decretado ontem estado de calamidade pública. Em Barra Mansa foi registrada a morte da 13ª vítima das chuvas: Gláuber César de Freitas, de 28 anos. Ele já havia sido transferido pela Defesa Civil para um local seguro, mas morreu afogado ao tentar entrar em sua casa, invadida pelas águas, para retirar móveis e pertences.
Cerca de 20% dos moradores de Barra Mansa estão sem água desde domingo porque o reservatório da cidade foi alagado. A cadeia da cidade também foi inundada e 72 presos tiveram que ser transferidos - cerca de 500 inquéritos policiais da 90.ª DP foram perdidos. Uma ponte foi destruída pela chuva. Hoje, o governador Anthony Garotinho (PDT) sobrevoou os municípios da região do Médio Paraíba (Volta Redonda, Barra Mansa e Resende) e da região Serrana (Petrópolis e Teresópolis), onde ocorreram seis das 13 mortes, foram registradas 109 quedas de barreira e 50 casas tiveram de ser interditadas. Hoje, duas pontes foram interditadas em Três Rios. O nível do Rio Paraíba do Sul na região, que normalmente é de dois metros, subiu para para sete. Represa - Em Resende, as cem famílias que haviam ficado desalojadas no distrito de Engenheiro Passos, retornaram hoje para suas casas, mas ainda está decretado estado de calamidade pública. Falta luz e água potável em alguns trechos de Engenheiro Passos. O prefeito de Resende, Eduardo Mohas (PSB), alertou para o risco de haver a necessidade de abrir o vertedouro da represa do Funil - que faz parte do complexo de abastecimento de Furnas Centrais Elétricas -, caso volte a chover forte e a represa atinja o nível máximo.
"Com a chuva, a represa estava recebendo um volume de água oito vezes maior que o normal", explicou o prefeito de Resende, Eduardo Mohas (PSB). "A sorte é que ela estava com nível baixo e deu para represar a água, livrando as as cidades de Volta Redonda, Barra do Piraí e Barra Mansa da inundação". A Defesa Civil do Estado também está monitorando o aumento do nível da água do Paraíba do Sul no trecho em que passa por Campos, no norte do Estado. Embora tenha parado de chover na região, o nível das águas vem subindo dez centímetros por hora desde a meia-noite de ontem e já atingiu a marca de 8,4 metros.
"Se subir mais um metro, vamos ter que retirar a população ribeirinha", afirmou o diretor de apoio comunitário da Defesa Civil Estadual, coronel Jorge Lopes. Cerca de 350 famílias vivem no local. A cheia do Paraíba do Sul é causada pelo excesso de água nos vários rios que desaguam ao longo de seu leito. Na capital, a Defesa Civil recebeu 46 chamadas pela manhã. Rodoviária - Hoje, o movimento foi grande na Rodoviária Novo Rio
que havia suspendido a venda de passagens no dia anterior por causa da interdição da Via Dutra, causada por um alagamento no km 330 da pista sentido Rio-São Paulo. As quatro empresas que operam no terminal colocaram cerca de 10 ônibus extra à disposição dos passageiros. Mesmo assim, alguns passageiros embarcavam, pela manhã, em ônibus clandestinos. "Foram mais de 40 ônibus piratas para São Paulo desde a noite de domingo", afirmou o proprietário de um dos veículos.
A Polícia Militar havia reforçado em dez homens o efetivo no local, mas apenas um ônibus clandestino foi apreendido. De acordo com as empresas rodoviárias, as viagens para São Paulo, durante a tarde, estavam demorando, em média, duas horas a mais que o tempo normal, de seis horas. Nesse horário, a concessionária Nova Dutra registrava 12 quilômetros de engarrafamento na pista sentido Rio-São Paulo da Via Dutra. O cenógrafo Espedito Nascimento Araújo, de 43 anos, chegou a embarcar na noite de domingo para São Paulo, mas teve de retornar ao Rio por causa da interdição da pista.
"O ônibus saiu às 23h30 de domingo, chegou de volta às 13h30 de segunda e só consegui passagem para a tarde de hoje", disse ele, que mora na Barra Funda. "Tinha que estar hoje em Santo André, preciso trabalhar". Sônia Cristina Costa, de 39 anos, veio com as três filhas para assistir a queima de fogos na Praia de Copacabana. "Estou desde o fim de semana tentando voltar para casa e só consegui passagem hoje à tarde".