Número de mortos já passa de 40
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Subiu ontem no início da noite para 41 o número de mortos na explosão da fábrica de fogos de artifício, na sexta-feira, em Santo Antônio de Jesus, na Bahia. O número de vítimas fatais pode aumentar, pois há 25 feridos em estado crítico internados em três hospitais de Salvador.
O médico Manoel Peso, chefe do setor de queimados do Hospital Geral do Estado (HGE), informou que os feridos além de queimaduras de terceiro grau sofreram traumas diversos e inalaram gases. Isso fez com que a mortalidade entre os feridos seja grande, disse.
Desde o sábado, os moradores de Santo Antônio de Jesus sepultam seus mortos. A necessidade de enterrar os corpos rapidamente, por causa das queimaduras, torna toda a situação muito penosa. A prefeitura reservou uma área do cemitério para os sepultamentos, que ocorrem minutos depois da chegada dos caminhões com os caixões na carroceria. Uma missa de corpo presente é celebrada antes mesmo de os caixões serem retirados dos veículos e, em seguida, ocorre o sepultamento coletivo. No domingo à noite foram feitos seis enterros às 23 horas. A prefeitura esperava a chegada ontem de mais oito corpos ao cemitério municipal.
Angustiante também é a espera dos parentes de feridos, nos corredores dos hospitais. A agente de saúde Patrícia Gomes, de 16 anos, acompanha a situação da irmã de 17, que permanecia internada no HGE. Ela perdeu vários amigos no acidente e informou que a irmã trabalhava havia quatro anos na fábrica de fogos. O pedreiro José Lourenço, perdeu dois filhos menores e uma cunhada no acidente. Sua mulher está internada. Com fé em Deus ela vai viver, senão vai ser duro demais, dizia ontem.
O delegado regional de Santo Antônio, Suzano Carvalho indiciou o dono da fábrica, Osvaldo Prazeres, por homicídio culposo (matar sem intenção), mas o delegado Patrício disse que ele pode responder por homicídio doloso e ser condenado a uma pena de até 30 anos de prisão.
Autorização A 6ª Região Militar do Exército divulgou nota infomando que Prazeres tinha autorização para fabricação artesanal de fogos, mas oficiais enviados para periciar o local do acidente informaram ter encontrado uma série de irregularidades de manipulação e armazenamento da pólvora.
O prefeito de Santo Antônio, Álvaro Bessa, disse que a prefeitura forneceu o alvará de funcionamento baseado na licença do Exército. Ele alegou que a responsabilidade pela fiscalização das condições de trabalho e a presença de menores na fábrica era do Ministério do Trabalho.


