Moscou, 10 (AE-AP) - Especialistas russos encarregados da investigação das causas da explosão que matou pelo menos 90 pessoas e feriu 249 em um edifício num bairro operário de Moscou, na quarta- feira, estão quase convencidos de que se tratou de um ataque terrorista realizado por rebeldes islâmicos em luta contra o governo federal no Daguestão.
Desde o ínicio de agosto as Forças Armadas russas tentam desalojar milhares de guerrilheiros que tomaram alguns povoados no sudoeste da república russa do Daguestão, na qual pretendem criar um Estado islâmico.
Diante das evidências e do temor de novos atentados, o primeiro- ministro Vladimir Putin anunciou hoje a adoção de um pacote de medidas antiterrorismo para proteger a população - principalmente na capital - e o reforço dos controles nas fronteiras.
O plano do governo não foi divulgado, mas as agências de notícias russas salientaram que a polícia pôs mais 4 mil homens patrulhando ruas, mercados, edifícios públicos e estações de trem e de metrô de Moscou. As autoridades também aumentaram a segurança em todas as centrais e instalações nucleares do país.
A população moscovita viveu hoje mais um dia de medo por causa de vários telefonemas com falsas ameaças de bomba. Um deles motivou o esvaziamento de um shopping center perto do Kremlin - o mesmo em que na semana passada um atentado a bomba matou 1 pessoa e feriu 40.
O pacote antiterrorismo foi aprovado em uma reunião de emergência da qual tomaram parte Putin, todos os dirigentes dos serviços de segurança e o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov. Após o encontro, Luzhkov disse não haver dúvidas de que a explosão foi um ataque terrorista. "Isso não é mais uma teoria. É absolutamente certo", afirmou à agência de notícias russa RIA.
Putin foi mais reticente quanto às causas da tragédia. "Os especialistas vão tirar as conclusões (...), avaliar se foi negligência, manipulação criminosa de explosivos ou um ato terrorista", disse.
Já o Serviço Federal de Segurança (FSB) informou ter sido detectada a presença de explosivos de 350 quilos de TNT no térreo e considerou digno de credibilidade um telefonema dado na quinta-feira por um homem com sotaque causasiano, à agência Interfax, assumindo a autoria do atentado como um ato de vingança contra os bombardeios russos no Daguestão.
Segundo a agência russa Itar-Tass, a polícia interrogou hoje os proprietários de uma loja situada no térreo - local da explosão - e divulgou o retrato falado de um suspeito.
O governo determinou que a segunda-feira seja dia de luto em todo o país, em memória dos mais de 150 mortos nas três explosões ocorridas nos últimos 15 dias no país: no edifício residencial e no shopping center moscovita e num prédio habitado por militares russos em Buinaksk, no Daguestão, no sábado passado. Nesse último, um carro-bomba matou 63 pessoas.

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