Angra dos Reis - Subiu para 37 o número de mortos em decorrência das fortes chuvas que vêm atingindo a região de Angra dos Reis (município no Sul Fluminense, a 168 km do Rio) desde domingo. Às 16h30 de ontem, chegou ao Instituto Médico Legal (IML) o corpo da auxiliar de serviços gerais Maria da Conceição Coutinho, 40, morta no bairro do Areal após o desabamento de sua casa. Foi a 35ªmorte confirmada.
  No início da noite, o IML anunciou que mais dois corpos tinham sido localizados sob os escombros. Um deles era de uma criança, no Areal. O outro corpo é de um homem soterrado no bairro de Belém. Segundo a prefeitura, duas crianças ainda estão desaparecidas e 1.500 moradores continuam desabrigados ou desalojados.
  Cerca de 500 homens, entre bombeiros, policiais e voluntários, continuavam ontem nos trabalhos de resgate e remoção dos escombros. Até o fim da tarde, 20 pessoas ainda permaneciam internadas no Pronto-Socorro Municipal de Angra, três em estado grave. A situação mais crítica é a da estudante Carolina Rodrigues Antunes, 13, que sofreu fraturas no fêmur, na bacia e perdeu o baço. Ela está no CTI (Centro de Terapia Intensiva). Ela sobreviveu ao desabamento de sua casa, no bairro da Ribeira, no qual morreram o pai, a mãe e o irmão. Outro caso grave é de Jocelina Mariano da Silva, que perdeu o bebê após o quinto mês de gestação. Ela também está no CTI da unidade.
  Ontem, foi grande o movimento de pessoas nos oito abrigos montados pela prefeitura para receber os desabrigados. As famílias que perderam tudo estão recebendo alimentos, roupas, apoio psicológico e atendimento médico.
  No bairro do Areal, o mais afetado pelas chuvas, uma cena comum marcou o dia: moradores carregando objetos que conseguiam achar depois da enxurrada. O drama da família Moreira Bastos, que teve 14 parentes mortos, era o mais comentado na cidade. Ontem, seis dos 14 membros da família foram velados em conjunto, numa escola estadual.
  Apesar de a chuva ter diminuído hoje, os moradores ainda temiam novos desabamentos.

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