Brasília - As mortes violentas cresceram 3,92% nas capitais do país e os crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos, 14,11%, no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Os crimes contra os costumes, estupro ou atentado violento ao pudor, caíram 1,14%.
Os dados fazem parte do primeiro levantamento dos dados relativos à criminalidade no país elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, divulgado ontem.
Embora alguns números se refiram a 2001, algumas secretarias estaduais ainda não os repassaram. O problema de coleta também afetou a abrangência dos números. Apenas as capitais e o Distrito Federal entraram na amostra, pois informações do interior e das regiões metropolitanas são fornecidas com maior atraso.
Para o cálculo das mortes violentas, a secretaria utilizou o somatório dos homicídios dolosos (em que há intenção de matar), culposos (sem intenção), no trânsito, lesão corporal seguida de morte, roubo seguido de morte, morte suspeita e resistência seguida de morte.
Os crimes contra o patrimônio incluem roubos, furtos, roubos seguidos de morte e sequestros. Esses dois últimos casos fazem parte da categoria pois o objetivo do criminoso é o bem da vítima e não sua vida, segundo a Senasp.
No ranking das capitais mais violentas do país, Porto Velho ocupa a primeira posição com 50,9 mortes violentas no primeiro semestre deste ano. Vem seguida de Vitória (41,1), Rio de Janeiro (39,1), Recife (36,5), Goiânia (35,9) e São Paulo (30,5).
Em comparação com o primeiro semestre de 2001, os maiores crescimentos foram registrados em João Pessoa, onde houve aumento de 81,63% das ocorrências. Goiânia (60,71%), Belo Horizonte (21,32%), Salvador (20,75%), e Recife (18,61%) vêm logo atrás.
Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente Silva Filho, ainda falta muito para que o Brasil tenha dados confiáveis sobre a violência. ''O monitoramento dos índices de criminalidade deveria ser feito de forma permanente'', afirmou Silva Filho.
Outra dificuldade apontada pelo secretário é a subnotificação dos casos. Ou seja, determinados crimes, como estupro, assaltos e lesões corporais, não são notificados à polícia, o que atrapalha a implantação de políticas públicas.
Uma delas é a efetiva implementação do Plano Nacional de Segurança Pública, criado em 2000. Uma das premissas para distribuição de verbas seria o acompanhamento dos índices, o que não era feito até agora.
Segundo o pesquisador Tulio Khan, da secretaria, isso significa que o próximo governo terá mais possibilidade de distribuir melhor os recursos do fundo com os dados levantados neste ano. Para eliminar a diferença de método de coleta dos dados, a secretaria trabalha com a implantação do Boletim Nacional de Ocorrências e uma parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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