Número de mortes em desastre na BR-277 sobe para 6
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terça-feira, 05 de julho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Curitiba - Subiu para seis o número de mortos após a explosão da carga de 44 mil litros de álcool do caminhão-tanque que tombou no km 33 da BR-277, em Morretes (Litoral), no final da tarde do último domingo (3). A atualização no número de vidas abreviadas pelo acidente traz à tona uma média vergonhosa levantada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas operações de fiscalização nas rodovias paranaenses: um terço dos caminhões que transportam cargas, perigosas ou não, apresentam algum defeito mecânico quando inspecionados nas operações, que chegam a fiscalizar até cem veículos em um dia.
Segundo o policial rodoviário federal Fernando Oliveira, desde 2015, essa média tem se mantido. "Fazemos operações periódicas. Nesta semana fiscalizamos Mandirituba e Ponta Grossa e temos mais uma ação programada para a região da serra onde aconteceu o acidente. Infelizmente, essa estatística terrível tem se mantido: um terço dos caminhões abordados apresenta problemas mecânicos que podem acarretar acidentes", constata. Pelas estatísticas do trecho em que o caminhão-tanque tombou, que compreende do Km 30 ao Km 49, de janeiro a maio deste ano, 57 acidentes foram registrados. Não houve mortes, mas nove pessoas ficaram gravemente feridas. Nos últimos dois anos, em 360 acidentes registrados (223 em 2014 e 137 em 2015), 14 pessoas morreram e 51 tiveram ferimentos graves. "Não é um trecho de grande concentração de acidentes fatais", afirma o policial.
O delegado Antonio César Pereira, da Delegacia de Morretes, onde o motorista ficou detido até o início da noite de ontem, explica que o homem "admitiu o colapso na frenagem". "Ele foi autuado em flagrante por homicídio doloso simples", esclareceu. Como os documentos do motorista foram incinerados na explosão, Pereira não sabe afirmar se o condutor tem a qualificação exigida para o transporte de cargas perigosas, conforme determina a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). "Em depoimento, ele afirmou ser motorista profissional há quatro anos", disse o delegado.
A assessoria de imprensa da Concórdia Logística S.A (Conlog) insistiu em afirmar que só se comunicará por nota e não esclareceu novamente a situação dos freios do veículo, que teriam apresentado problemas antes do acidente. No final da tarde desta terça (5), o motorista foi liberado, após a expedição do alvará de soltura ocorrida com o pagamento da fiança de R$ 8.800 (10 salários mínimos) determinada pela Justiça. Ele responderá ao inquérito em liberdade.
BEBÊ TEM ALTA
A assessoria do Hospital Evangélico confirmou que a bebê Maria Fernanda, que completa 19 dias de vida nesta quarta-feira (6), recebeu alta médica por volta do meio-dia e foi levada pela avó, que mora em Morretes. Antes da liberação de Maria Fernanda, o hospital confirmou a sexta morte, de um homem que teve 90% do corpo queimado e que havia sido transferido do Hospital de Paranaguá na segunda-feira (4). O homem foi identificado como Pedro Hidalgo, de 55 anos. Os outros mortos são os pais da bebê, Caroline Fernanda Grassmann Martins, de 22 anos, e Luiz Carlos Maciel da Silva, de 26, e mais três pessoas: Anderson Luiz Cunha, de 43 anos, o filho Gabriel Cunha, de 12, e Ana Carolina Novacoski, de 35. Uma mulher que teve queimaduras de segundo grau seguia internada no Evangélico, sem risco de morte.


