Curitiba – As rodovias paranaenses registraram um aumento de 20% no número de mortes neste feriado prolongado de Corpus Christi. Segundo balanço divulgado pelas polícias rodoviárias estadual (PRE) e federal (PRF), 30 pessoas perderam a vida e outras 358 ficaram feridas nos 398 acidentes contabilizados entre a tarde de quarta-feira e o meio-dia de ontem. Os dados negativos são puxados pelo desempenho das PRs, que sozinhas respondem por 18 óbitos, dez a mais do que os verificados pela corporação em 2014.

Nas estradas estaduais, houve 161 colisões e quatro atropelamentos, que deixaram 174 feridos. O batalhão realizou 2.654 autuações de trânsito no geral e fez 1.143 testes etilométricos, que resultaram em 33 autos por embriaguez, o triplo do efetuado em 2014. Dentre as pessoas alcoolizadas, 11 foram presas. "Isso demonstra que a fiscalização foi efetiva, mas, infelizmente, em razão do grande fluxo de veículos e da imprudência, houve o aumento (de acidentes e mortes)", justificou o porta-voz de comunicação da PRE, Felipe Hess. Nas rodovias que ligam a capital ao litoral, por outro lado, ocorreram duas batidas e duas mortes, redução de 50% em comparação com o ano anterior.
O dia com maior número de acidentes foi a quinta-feira, com 40 casos. Das seis mortes, cinco aconteceram em uma batida transversal entre dois carros, por volta de 11 horas, na PR-445, no município de Tamarana, Região Metropolitana de Londrina (RML). Em um dos veículos havia três pessoas, sendo a condutora, de 23 anos, um passageiro de 32 e uma criança de um ano. Todos faleceram no local. Conforme a PRE, as causas estão sendo investigadas.

FEDERAIS

Nas rodovias federais, por sua vez, houve 12 mortes, 29,4% a menos do que as 17 do Corpus Christi de 2014. No total, a PRF contabilizou 237 acidentes e 184 feridos. A polícia notificou ainda 811 condutores por ultrapassagens proibidas. Outro dado que chama a atenção é o de motoristas embriagados. Foram emitidas 113 autuações por ingestão de bebidas alcoólicas, uma para cada 63 minutos do feriado. Trinta e um condutores acabaram presos em flagrante.
Todos os óbitos ocorreram entre sexta-feira e domingo, sendo que cinco deles foram atropelamentos. No sábado pela manhã, três adolescentes entre 15 e 17 anos montados em uma única bicicleta perderam a vida depois de invadir a pista da BR-116 e colidir contra um caminhão em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Um dia depois, na BR-116, em Quitandinha, também RMC, um motorista de ônibus que parou no acostamento para retirar malas do bagageiro foi atingido por um automóvel e não resistiu aos ferimentos. Alcoolizado, o condutor do carro fugiu, mas foi localizado e detido.
Ainda no domingo, um casal de irmãos, de 14 e 19 anos, veio a óbito em uma colisão frontal em Contenda. O outro automóvel estava na contramão. Já ontem, um ônibus de turismo tombou durante a madrugada na BR-116, em Campina Grande do Sul. Dos 27 ocupantes, 16 ficaram feridos. Em princípio, não há informações de vítimas graves. O coletivo transportava universitários que retornavam de um evento em Campinas (SP).

EDUCAÇÃO

Para o inspetor Wilson Martinez, da PRF, a redução de mortes se deve a um conjunto de fatores, que incluem a adoção do videomonitoramento e o aumento na fiscalização. Ele acrescentou que houve um grande número de atropelamentos, casos que apontou como "imprevisíveis". De acordo com Martinez, fornecer educação no trânsito, "da pré-escola à universidade", poderia contribuir para melhorar ainda mais os índices. "94% das mortes seriam reduzidas se não fossem a imprudência, a imperícia e a negligência dos motoristas", afirmou.

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