Rio - Os idosos estão cada vez mais numerosos e têm papel fundamental na família brasileira. A pesquisa Perfil dos Idosos Responsáveis pelos Domicílios no Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados do Censo 2000, divulgada ontem, revela que as pessoas com 60 anos ou mais eram 7,3% da população em 1991 e hoje são 8,6% á aumento de 17% na década. Há 14,5 milhões de brasileiros na terceira idade. Já os idosos chefes de família passaram de 60,4% para 62,4%. São 8,9 milhões e, desse universo, 54,5% vivem com os filhos e os sustentam.
O Brasil segue uma tendência mundial de envelhecimento da população, resultado da combinação do aumento da expectativa de vida com a queda da natalidade. A população brasileira vive em média 68,56 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década. Já a taxa de fecundidade caiu pela metade em 20 anos, passando de 4,4 filhos por mulher em 1980 para 2,3 atualmente.
Resultado: há duas décadas, havia 16 idosos para cada cem crianças (população de até 14 anos), dez anos depois eram 21 para cem e hoje já são 29 idosos para cem crianças.
''A redução da taxa de fecundidade ainda é o que comanda o envelhecimento da população'', diz a coordenadora do estudo, Ana Lúcia Sabóia, chefe da Divisão de Indicadores Sociais do IBGE. Há 60 anos, as brasileiras tinham em média 6,2 filhos e a esperança de vida ao nascer era de 40,7 anos. A grande mudança aconteceu na década de 70, com a ampliação do uso da pílula anticoncepcional. Em 1970, nasciam 5,8 filhos por mulher, passando para 4,4 dez anos depois. A expectativa de vida em 1980 já era de 62,7 anos.
Em números absolutos, a população idosa brasileira aumentou em quase 4 milhões ao longo da década. As estimativas são de que em 2020 haverá 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil 13% da população e que a esperança de vida chegue a 70,3 anos. Uma das surpresas, para os técnicos do IBGE, segundo Ana Lúcia, foi a constatação de que o maior crescimento proporcional foi das pessoas com 75 anos e mais. Eram 2,4 milhões de brasileiros nesta idade em 1991 e hoje são 3,6 milhões.
Com a nova face da população brasileira, o desafio para o poder público será adaptar as cidades para dar aos mais velhos melhores condições de vida. Municípios como o Rio de Janeiro e Porto Alegre, por exemplo, já têm mais de 10% dos moradores com idade acima de 60 anos. ''O rosto da cidade muda. As políticas públicas têm que prestar atenção nesse tipo de informação, para que essas pessoas idosas, especialmente as que moram sozinhas, possam viver bem'', lembra Ana Lúcia.

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