Número de homicídios volta a subir em SP
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de maio de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 03 (AE) - No primeiro fim de semana do trabalho integrado entre as polícias Civil e Militar na capital, o número de homicídios subiu 30,2% em comparação com o mesmo período da semana passada. Foram 56 os assassinatos, ante 43. A região de Santo Amaro registrou o maior número: 22. A média de homicídios nos fins de semana até agora na capital é de 52,7 neste ano. Ocorreram ao todo 917. Em 1998, a média no mesmo período foi de 50,9, com 949 assassinatos.
Segundo os registros dos distritos policiais, das 20 horas da sexta-feira às 8 horas de hoje, ocorreram 2 homicídios na região central, 3 na sul, 4 na oeste, 8 na norte, 3 na leste, 22 em Santo Amaro, 6 em Itaquera e 8 em São Mateus. Na sexta-feira, o comando da Polícia Militar realizou na capital uma megaoperação utilizando todos policiais dos Batalhões de Choque, Trânsito, da Polícia Rodoviária, Cavalaria e dos Comandos de Policiamento Metropolitano e de Operações Especiais. Policiais civis de diversos departamentos também estiveram nas chamadas zonas críticas em busca de armas e de ladrões. No sábado e no domingo, o trabalho foi integrado.
Nas zonas sul e leste, as duas polícias realizaram a chamada "operação homicídio". O coronel Roberto Vieira Tosta, comandante da Polícia Militar na zona sul, explicou que o fim de semana foi atípico. Dos 22 assassinatos, muitos tiveram como motivo o desentendimento em bares e nas ruas. "Estamos fazendo o possível para impedir os homicídios e reduzir a criminalidade". Entre as vítimas, há um policial militar morto numa troca de tiros com ladrões.
Com a integração, Tosta acredita em sucesso, mas não em solução dos problemas a curto prazo. "O grosso do nosso trabalho é de fundo social, que outros setores deveriam atender". Para ele, se isso ocorresse, a PM teria capacidade de triplicar o número de policiais na prevenção dos crimes. Arma de fogo - Dos 56 assassinatos do fim de semana, 98% foram praticados com armas de fogo. O delegado Domingos Paulo Neto, da Seccional de Santo Amaro, informou que, dos 22 homicídios registrados nos distritos que chefia, cinco tiveram como vítimas pessoas envolvidas em crimes de receptação, roubo, homicídio e porte ilegal de arma.
Para ele, crimes de vingança, de tocaia, são difíceis de impedir. Nos outros assassinatos, os motivos, segundo o delegado
foram banais. Num deles, um rapaz, no Jardim Mirna, matou outro durante jogo de cartas. "Muitos dos crimes foram praticados no interior das residências, nos bares". A maioria dos homicídios ocorreu entre meia-noite e 5 horas.
Paulo Neto informou que no fim de semana fez blitz na região de Santo Amaro. Da integração participaram também policiais do Departamento de Narcóticos. "Percorremos bares, padarias, locais de venda de drogas, fizemos três flagrantes de tráfico e apreendemos armas". O delegado contou que a média de homicídios nos fins de semana em Santo Amaro vem-se mantendo. Em 1996, foi de 12,1; em 1997, 12,2; e em 1998, 12,6. Em abril deste ano, foram registrados 109 homicídios. "Estamos jogando tudo para a redução da criminalidade".


