Roldão Arruda
Agência Estado
Ontem ainda era impossível determinar o número de pessoas socorridas em decorrência da ação policial em Santa Cruz Cabrália. O posto da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), instalado ao lado do Museu dos Índios Pataxó, na área do conflito, atendeu 30 pessoas, com diversos tipos de queixa, desde ferimentos causados por quedas, a problemas respiratórios e de pressão sanguínea. Mas o número pode passar de 50. Outros postos de atendimento médico e hospitais da região acabaram sendo procurados.
No Posto de Saúde da Praia de Coroa Vermelha, que fica no município de Cabrália, cinco manifestantes foram socorridos com pequenos ferimentos causados por estilhaços de objetos não identificados. Para o mesmo local foram encaminhados dois policiais. Um deles caiu do cavalo, durante a perseguição da tropa aos índios; e outro cortou-se com um caco de vidro.
Além disso, 14 pessoas procuraram socorro na Maternidade de Coroa Vermelha, a maioria delas com problemas respiratórios causados pelo gás lacrimogêneo. Também há informações de que alguns índios preferiram procurar socorro em outras cidades da região.
De acordo com informações que circulavam ontem na sede provisória do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) instalado em Cabrália, um índio de Alagoas teria ficado com as pernas gravemente feridas, após ser atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo. Ele estaria sendo atendido num hospital especializado em atendimento a queimados, em Itabuna, a quase 300 quilômetros do local do conflito. Mas nas instituições hospitalares da cidade que atendem ferimentos desse tipo, não havia nenhum registro. Nem no Hospital Regional de Ilhéus, para onde são encaminhados casos graves de queimadura em toda a região.
Os funcionários da Funasa, que teriam socorrido o índio, não foram localizados ontem. Os agentes do CIMI dizem que continuarão realizando buscas na região.

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