Curitiba - O número de famílias assentadas no Paraná sofreu uma redução de 42% no ano passado em comparação com 2010. Em 2011, 637 famílias de trabalhadores sem-terra foram beneficiadas. No ano anterior foram 1.105.
O resultado deste ano é o quarto pior registrado pelo Paraná desde o início do programa de reforma agrária do governo federal, implantado em 1995. O melhor resultado no Estado ocorreu em 1999, quando 6.458 famílias foram assentadas. Esses números fazem parte dos Dados Históricos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), divulgado no mês passado.
No Brasil, a queda na quantidade de famílias assentadas foi ainda maior. De 2010 para 2011 houve uma diminuição de 44%, passando de 39.479 para 22.021. Este dado foi o pior registrado em 17 anos de programa. O melhor resultado nacional ocorreu em 2006, quando 136.358 tiveram acesso à terra.
Hoje, no Paraná, segundo a Superintendência Regional do Incra, há 319 assentamentos, que juntos somam 420 mil hectares de terra. Nessas áreas vivem 28.399 famílias, mais ainda existem 113 acampamentos, onde vivem 5.500 famílias no Estado inteiro.
Segundo o superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes, a queda no número de famílias assentadas ocorreu por diversos fatores, como a diminuição da quantidade de áreas improdutivas no Estado (hoje abaixo dos 5%), a valorização do hectare de terra e a necessidade de aplicar capacitação técnica em cada assentamento.
''O Incra tem um significativo percentual de áreas obtidas e, entendo que agora estamos entrando numa nova fase da qualificação dos assentados. Este é o objetivo principal. Cada governo veio cumprido com o seu papel no histórico do processo. Se formos pegar em termos de assentamento, a década de 1990 foi quando ocorreu o maior percentual de obtenção de terras porque foi a época em que tinha uma pressão maior. Havia um represamento de pedidos porque por muitos anos não tinha sido feita a reforma agrária. Naquela época o Incra entendia que obtendo a área estaria resolvendo o problema. É um grande passo, importante, mas a política de desenvolvimento dos assentamentos tem que existir'', destaca.
Guedes acrescenta que o preço das áreas subiu ''absurdamente''. ''Em 2000 a média era de R$ 2 mil o hectare terra no Estado. Hoje está em torno de R$ 12 mil a R$ 15 mil. Houve uma valorização extrema e isso dificulta a obtenção de novos espaços. Nos últimos anos estamos tendo esta dificuldade'', ressalta.
O superintende do Incra ainda informou que estão em andamento projetos de qualificação dos assentamentos existentes, ampliando o acesso à assistência técnica e extensão rural. Além disso, ele destacou que o Incra-PR tem 153 processos de obtenção de novas áreas em andamento, totalizando cerca de 135 mil hectares.
''Isso é o suficiente para assentar nove mil famílias. Neste ano estamos com boas perspectivas. Há muito tempo não conseguíamos juntar uma boa quantidade de terra'', diz.
Espera
De acordo com a direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os números do Incra preocupam porque a quantidade de famílias acampadas à espera de uma área permanece a mesma há alguns anos (5.500).
Conforme Salete Mariani, que faz parte da direção do movimento no Paraná, existe muita terra improdutiva que não está sendo aproveitada. ''Sempre cobramos mais agilidade dos órgãos responsáveis para acelerar os processos. Sabemos que a burocracia atrapalha, mas os agricultores aguardam por essas áreas há muito tempo. No Paraná existem acampamentos de mais de 10 anos.''
Ela reconhece que a infraestrutura nos assentamentos deve ser prioridade para melhorar a qualidade de vida dos agricultores, mas cobrou medidas urgentes. ''Não queremos que os pequenos produtores saiam de sua região para acabar formando mais favelas nas grandes cidades. Pedimos apoio para eles se manterem nas propriedades e para que possam desenvolver suas agriculturas. Isso passa pela capacitação técnica, que já está ocorrendo, mas muitos assentados ainda precisam de auxílio'', reivindica.

Imagem ilustrativa da imagem Número de famílias assentadas no Paraná cai 42%
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