São Paulo, 1 (AE) - Os pedidos de falência e concordata na capital paulista caíram significativamente em agosto e os números foram os mais baixos dos últimos quatro anos, nesse período. A inadimplência, embora ainda permaneça elevada, também teve queda acima do esperado para este período.
Foram registrados 433.293 carnês em atraso em agosto, uma queda de 14,8% em relação a julho, quando a média de queda para esta época é de 10%. Outro indicador positivo foi o número de registros cancelados, isto é de dívidas acertadas, que aumentou 6,9%.
O resultado, na análise da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostra uma melhoria do quadro por causa da redução das taxas de juros. Mas, no caso do recuo das insolvências, indica também um volume menor de negócios realizados por causa de uma atividade econômica mais fraca.
Foram requeridas 644 falências em agosto, o que representou uma queda de 33,1% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 20,3% na comparação com julho. "Com exceção dos meses de janeiro e fevereiro, que são atípicos por causa das férias forenses e do carnaval, foi o resultado mais baixo desde agosto de 95", afirma o economista Emílio Alfieri, da ACSP.
Os pedidos de concordata também caíram no mesmo período. Foram requeridas cinco concordatas ante 14 em agosto do ano passado, uma queda de 64,3%, e 10 no mês anterior, redução de 50%. O valor do passivo das concordatas deferidas até agosto demonstra que foram atingidas empresas de pequeno e médio porte.
Para Alfieri, se esse resultado de baixa se mantiver nos próximos meses, a tendência é que o nível de atividade volte a crescer. "Por enquanto esses dados são positivos, mas podem ser apenas circunstanciais", observou. "Mas historicamente quando se tem uma queda de insolvência grande, depois de seis meses o nível de atividade passa a crescer."
Na avaliação do presidente da Associação Comercial, Alencar Burti, se o Banco Central continuar reduzindo os juros e não surgirem crises políticas, o País poderá ter desempenho melhor no ano 2000.
Vendas - O movimento no comércio teve um pequeno crescimento em agosto por causa do Dia dos País. As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) aumentaram 5,1% em relação a julho. Já as consultas ao Telecheque, indicador das vendas à vista e com pré-datados, cresceram apenas 0,5%.
Em relação a agosto de 98, apenas o SCPC teve crescimento de 2,2%. O Telecheque registrou queda de 10,6%. "Pelos números o nível de atividade continua fraco", diz Alfieri.
O faturamento real do comércio varejista, na região metropolitana da São Paulo, em julho, foi 0,56% menor do que o resultado do mês anterior, conforme pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

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