Buenos Aires, 14 (AE) - A crise econômica está provocando um número recorde de falências em Buenos Aires. As estatísticas indicam que 148 empresas tiveram a falência decretada na capital argentina durante o mês de março.
Esse é um recorde histórico no país, pois o número ultrapassa a marca das 146 falências decretadas em outubro de 1995, ainda em decorrência dos efeitos da crise mexicana. Os pedidos de falências não chegaram a bater o recorde da época do efeito Tequila, mas estão próximos.
No mês passado foram apresentados 1.039 pedidos de falência, mas o recorde é de junho de 1995, quando foram solicitadas 1.104 falências.
Além das falências decretadas, também cresceu o número de empresas em concordata: foram 228 entre janeiro e março deste ano (sendo 129 só no mês passado). Ou seja, 25% mais do que no mesmo trimestre de 1998.
A crise nas empresas coincide com as previsões da maioria dos economistas que em janeiro, quando o real foi desvalorizado, projetaram que os efeitos da crise brasileira seriam sentidos na Argentina dois meses depois.
Outro índice que demonstra os efeitos da crise é o de encerramento de contas correntes. No primeiro trimestre 7.200 contas bancárias foram encerradas, o que representa um aumento de 29,5% número de contas encerradas em relação ao mesmo período do ano passado. Do total das contas, 77,8% foram encerradas por causa de emissões de cheques sem fundos.
Entre janeiro e março, o número de processos na Justiça por falta de pagamentos aumentou 41,5% em relação ao mesmo trimestre de 1998.
Já existem sinais claros de que o país está em recessão. Entre novembro do ano passado e março deste ano, 228 empresas foram declaradas oficialmente em"crise trabalhista", termo usado para definir o procedimento adotado quando uma empresa vai demitir mais de 5% dos empregados. Esse procedimento prevê que patrões e empregados negociem, por no máximo 20 dias, sem demissões e sem greves.
Entre janeiro e março, do total de empresas que pediram enquadramento na categoria de "crise trabalhista", 31 têm sede em Buenos Aires. No mesmo período de 98, apenas seis empresas estavam nessa situação. Os setores mais atingidos são o metalúrgico-mecânico (97 empresas), seguido pelo setor de saúde (31 empresas) e o têxtil (17 empresas).

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