São Paulo, 29 (AE) - Durante o Plano Real (entre julho de 1994 e junho de 1999) houve a decretação de falências de 22.733 empresas, informou hoje a Centralização de Serviços dos Bancos (Serasa). Isso significou um aumento de 168% nas falências decretadas em relação ao período julho de 1989 e junho de 1994 (8.490 falências decretadas).
Segundo o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, as empresas que viviam da ciranda financeira e da elevação de preços de seus produtos e não fizeram adaptação administrativa no período de estabilidade econômica e abertura do comércio exterior acabaram desaparecendo.
As falências requeridas passaram de 60.424 no período entre julho de 1989 e junho de 1994 para 165.773 entre julho de 1994 e junho de 1999, com crescimento de 174%. As concordatas requeridas no mesmo período passaram de 3.313 para 4.932, com evolução de 49%. Os títulos protestados passaram de 20.056.031 para 36.579.763, com crescimento de 82% no mesmo período.
Rentabilidade - Dados divulgados hoje pela Serasa mostram uma evolução de rentabilidade de vendas do setor comercial de 1,3% no primeiro trimestre deste ano. Os balanços anuais do setor comercial mostram a seguinte evolução de rentabilidade de vendas: dezembro de 94 (+ 3,0%), dezembro de 95 (+ 2,1%), dezembro de 96 (+1,8), dezembro de 97 (+1,6), e dezembro de 98 (+1,9%).
O presidente da Serasa afirmou que o Plano Real tornou mais previsível a rentabilidade de vendas do comércio. Ele disse ainda que as vendas em geral cresceram 4,5% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 98, ante uma evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% do mesmo período. A análise foi feita com base nas empresas que divulgaram informações para o sistema Serasa.
Lucca também anunciou que o índice de atividade do comércio no primeiro semestre cresceu 12% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar das incertezas trazidas inicialmente pela liberalização cambial, em janeiro de 99.
É a primeira vez que a Serasa calcula esse indicador, que leva em consideração vendas à vista e a prazo no Brasil. São mais de 1 milhão de consultas à Serasa por dia. O comércio consulta a empresa, principalmente, para avaliar a capacidade de pagamento dos consumidores nas vendas à vista (com cheque) ou a prazo.
Segundo Lucca, a procura por crédito no comércio no primeiro semestre evoluiu 35% ante igual período de 98. A análise da Serasa, com base nos balanços do primeiro trimestre no comércio, constatou evolução de vendas no período de 0,8% em relação ao último trimestre de 98.
Lucca disse que, dadas as altas taxas de juros, esperava-se aumento da inadimplência. Os dados indicam, porém, uma capacidade de adaptação forte das empresas. Os três indicadores de inadimplência da Serasa - Protestos, Falências Requeridas e Concordatas Requeridas - caíram em todo o Brasil no primeiro semestre de 99, ante igual período de 98.

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