Número de estupros ultrapassa o de homicídios no País
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terça-feira, 05 de novembro de 2013
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Londrina - O número de estupros no Brasil subiu 18% em 2012 em comparação com o ano anterior, aponta o 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em todo o País, foram registrados 50,6 mil casos, o correspondente um taxa de 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes. Em 2011, a taxa foi de 22,1.
O que mais chamou à atenção, contudo, foi que o total de estupros superou o de homicídios dolosos (com intenção de matar): 50,6 mil estupros contra 47,1 mil mortes registradas. A taxa de homicídios dolosos passou de 22,5 por grupo de 100 mil habitantes em 2011 para 24,3 no ano passado; uma alta de 7,8%.
No Paraná, o aumento dos números segue o contexto nacional. Com relação aos estupros, o número total foi de 3,5 mil casos em 2012; crescimento de 9,48% em relação ao ano anterior e uma taxa de 33,3 estupros a cada grupo de 100 mil habitantes, superior à média do País. Já a taxa de assassinatos a cada 100 mil habitantes subiu de 29,3, em 2011, para 29,6 em 2012. Em números absolutos, foram registrados 3,1 mil homicídios no Paraná. Portanto, a proporção no Estado também é maior: 3,5 mil estupros contra 3,1 homicídios.
Apesar do crescimento dos índices, o documento mostra que os gastos com segurança pública no Brasil totalizaram R$ 61,1 bilhões em 2012, um incremento de 15,83%. No Paraná, esses gastos totalizaram R$ 2,04 bilhões em 2012, um incremento de 27,21% em relação ao ano anterior.
Números ainda maiores
De acordo com a promotora Susana Lacerda, da 6ª Vara Criminal de Londrina, o aumento do número de estupros pode ser resultado do maior acesso à rede de enfrentamento à violência e informação, bem como a possibilidade do Ministério Público notificar o abusador, quando identificado, mesmo que a família não queira. "É notório o maior encorajamento da mulher em denunciar nos últimos anos, até mesmo contra parceiros afetivos. Apesar disso, ainda há muito a ser feito com relação à capacitação dos profissionais envolvidos, seja na polícia ou nos hospitais", comentou.
Por isso, segundo a promotora, a sensibilização e humanização no atendimento são fundamentais para que mais casos cheguem ao poder público. "O processo para uma denúncia de estupro é extremamente desgastante, porque a pessoa retorna à situação de agressão sofrida."
Para o delegado da Polícia Federal (PF), Algacir Mikalovski, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Segurança Pública e Privada (NPSPP), o acesso aos canais de denúncia, aliado à mudança cultural, pode ser considerado responsável pelo aumento dos registros de estupros. "As mulheres e crianças estão no grupo mais vulnerável a esse crime. Ainda que tenha havido crescimento na notificação, certamente esse número deve ser muito maior. O homicídio é mais aparente, já o estupro precisa da denúncia", explicou ele, complementando que o maior desafio é a ampliação do serviço complementar (psicológico, assistencial), além da medida punitiva ao agressor.(Com Agência Brasil)
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