Os portões do Colégio Estadual Vicente Rijo, maior de Londrina, ficaram fechados nesta segunda-feira (17). Cartazes indicam que a escola está ocupada, a mais recente dentre as 24 ocupações registradas em Londrina. Quando a reportagem chega perto das grades, uma aluna já avisa que nenhuma informação sobre a ocupação será fornecida pelos alunos e que a entrada no local também não será permitida.
Nem mesmo a pedagoga e professora da sala de recursos Marta Silene Merissi quis intervir no movimento, que ela defende. No meio da tarde, ela foi até o colégio, onde trabalha, para checar se os alunos estavam precisando de algo. Mais à noite, iria levar água para os estudantes. "Não fiz questão de entrar porque não quero intervir no movimento dos alunos. Mesmo estando em greve, estou aqui para saber como os alunos estão. Nós estamos apoiando os alunos no que eles precisam."
Só depois que a professora chegou oferecendo ajuda, outros estudantes foram ao portão e disseram, apenas, que os alunos solicitam como auxílio a doação de mantimentos e "o apoio da população". Água, comida e material de limpeza é o que eles pedem e que, ao que parece, está em falta no local.
De acordo com levantamento enviado pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação (Seed), cerca de 570 escolas estão ocupadas. Segundo a página do movimento Ocupa Paraná no Facebook, são 600 escolas, além de 8 universidades e 2 Núcleos Regionais de Educação.
No último domingo (16), o governo do Paraná decretou recesso escolar para as escolas ocupadas por uma semana. Das demais, 55% funcionam normalmente, 18% parcialmente e 5% estão totalmente paralisadas. Isso porque, nesta segunda, professores da rede estadual de ensino, docentes e funcionários das universidades paranaenses – além de policiais civis – também deflagraram greve contra a proposta do governador Beto Richa (PSDB) de revogar a data-base do funcionalismo estadual.
Lúcia Cortez, chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina, informou que apenas duas escolas de Londrina e região paralisaram totalmente as atividades: Professor Dr. Heber Soares Vargas, na zona sul, e Dr. Leopoldino Loureiro Ferreira, em Cambé. Além das que estão ocupadas, as demais estão funcionando normalmente ou com apenas parte dos professores em greve.
Para as escolas e professores que estão paralisados, a Seed informou que haverá desconto dos dias não trabalhados e necessidade de reposição das aulas. Para as que estão em recesso, haverá apenas a necessidade de reposição do conteúdo perdido. O governo do Estado determinou que, por causa do recesso, professores e funcionários terão de trabalhar de 22 a 28 de dezembro. "Vamos ter que construir um calendário de reposição, mas cada caso é um caso", declarou Lúcia.

PROFESSORES
Os alunos da Escola Estadual Ana Molina Garcia, na Vila Ricardo (zona leste), seguiam tendo aulas nesta segunda. Dos cerca de 60 docentes da escola, quatro professores e uma pedagoga entraram em greve. "A direção deixou bem democrático para os professores escolherem se querem paralisar ou não. Passamos uma lista na sexta-feira para ter a posição dos professores, mas a maioria não aderiu", comentou a diretora auxiliar, Almerita de Paula. Ela conta que muitos ficaram temerosos depois da última greve, em que todos os professores da escola pararam, mas tiveram descontados os dias não trabalhados.

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