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Número de empresas de motoboys cresce 275% de olho no comércio eletrônico


Por Renata Stuani
Por Renata Stuani

São Paulo, 10 (AE) - O crescimento do comércio via Internet no Brasil não pode ocorrer se não for acompanhado de soluções logísticas e de transporte. Esta é a opinião dos especialistas em transporte de pequenos volumes. Afinal, quem vai entregar as mercadorias pedidas pela Internet, com rapidez, dentro do prazo requerido e sem avarias? Resposta do consultor em transportes Marco Antônio de Andrade: "Somente as empresas extremamente profissionais serão capazes de atender à demanda do e-commerce". Em São Paulo, o setor já percebeu que deve se modernizar. A expansão está sendo acompanhada pela regulamentação da atividade e pela crescente profissionalização das companhias.
De acordo com estatísticas do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), o número de empresas de motoboys em São Paulo subiu de 800 em 1998 para 3.000 este ano, num aumento de 275%. Os profissionais registrados chegam a 20 mil. O Setcesp estima que outros 20 mil motoristas autônomos trabalhem na Grande São Paulo.
O transportador Luís Alexandre Duarte, dono da empresa Motoforte e responsável pelo setor de transporte por motocicletas no Setcesp, calcula que em todo o Estado devem existir 80 mil motoboys. O interesse pela atividade não pára de crescer, segundo Duarte. "Tudo graças ao advento da Internet". Ele afirma que não existem números precisos para calcular o tamanho do mercado de transporte voltado para a Internet, mesmo porque o comércio pela rede está apenas começando no Brasil. "Mas podemos dizer que se trata de um negócio que deve movimentar US$ 100 milhões por ano, no mínimo".
Duarte declara que as empresas de motofrete que tinham um nicho já consolidado ganharam novo fôlego com o desenvolvimento da Internet. "O mercado na capital paulista já estava estagnado para a minha empresa, por exemplo", conta. "Mas agora, com a perspectiva de ampliar as atividades no e-commerce, estimamos crescimento de 15% em 2000", diz ele, que lançará no dia 17 o site de sua empresa.
Regulamentação - A atividade de transporte por motocicletas em São Paulo foi regulamentada somente este ano pela Lei municipal número 12969/00. A lei pediu o cadastramento de empresas e motoboys. Segundo Duarte, o interesse foi tanto que 12 mil motoristas já foram fazer o pré-cadastramento, iniciado em fevereiro na Secretaria Municipal dos Transportes. Esses motoristas devem frequentar um curso de treinamento que vai torná-los aptos a exercer a atividade com mais segurança. Só assim eles terão o cadastramento definitivo como motoboys.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) avalia que as motos representam 7% da frota circulante de veículos na capital paulista. Das mortes em acidentes de trânsito, 16% dos casos envolvem motociclistas. Foi para baixar o número de acidentes que a Prefeitura decidiu regulamentar a profissão de motoboy.
De acordo com Duarte, a regulamentação é a base da profissionalização do setor. Ela é necessária para todos os tipos de serviço, mas é absolutamente essencial para as empresas que atuam no segmento de Internet. Afinal, o e-commerce é baseado na credibilidade. Se o internauta faz uma compra que chega avariada - ou simplesmente não chega - , pode perder a confiança e nunca mais comprar pela Internet. "O brasileiro ainda tem medo do comércio eletrônico", diz Duarte.
Qualidade - Para oferecer um serviço de entrega de qualidade, o consultor em transportes da consultoria Prodeg, Marco Antônio de Andrade, afirma que a solução é o treinamento dos motoboys, na primeira etapa. "Além disso, a empresa tem que ter total controle do fluxo de informações, desde o pedido da mercadoria até a entrega", diz Andrade. "E tudo deve ser padronizado".
Duarte afirma que a boa empresa de motofrete deve ter agilidade e preço justo. "E não necessariamente o frete justo é o mais barato", explica. Segundo ele, a empresa deve ter condições de rastrear o produto que está sendo entregue e controle tecnológico completo de todo o processo de distribuição.
Para Duarte, o treinamento é uma peça chave para a qualidade no serviço. "O motoboy, que muitas vezes foi visto com desconfiança pela opinião pública pelo envolvimento em acidentes de trânsito, deve ser treinado para ter civilidade e controle emocional", declara Duarte. De acordo com ele, também o internauta tem responsabilidade pelo sucesso do processo de distribuição da mercadoria comprada via computador. "O internauta precisa conhecer a empresa de motofrete e deve pesquisar se ela tem credibilidade", diz.
Concorrência - O especialista do Setcesp diz que somente com padronização e busca pela qualidade as empresas nacionais enfrentarão a concorrência com algumas companhias internacionais de logística que estão chegando no mercado nacional para investir no mercado virtual. "Nós admitimos que a concorrência com empresas dos EUA e Europa assusta", declara.
Para o presidente da Cotia Penske, Armando Menge, a Internet no Brasil está vivendo um "boom", mas somente as empresas de grande estrutura terão capacidade para manter-se no mercado, oferecendo serviços e cumprindo com a obrigação de entregar as mercadorias. "As grandes é que vão ficar". A Cotia Penske é uma joint-venture formada em 98 com a união da Cotia, a maior empresa de comércio exterior brasileira, com a Penske Logistics dos EUA. É essa gigante do ramo da logística a responsável pelas entregas dos produtos vendidos no site das Lojas Americanas (www.americanas.com.br).
"Num futuro muito próximo, só vão continuar no mercado as empresas que tiverem credibilidade, que é o segredo do comércio eletrônico", diz Menge. Duarte acredita que, mesmo com a potência das multinacionais em logística, sempre haverá espaço para as empresas brasileiras menores que investirem num serviço de entregas qualificado. "O mercado brasileiro é atípico, pois muitas multinacionais se assustam com a pesada carga tributária que incide sobre os transportes e terceirizam a atividade, buscando empresas brasileiras", conclui.

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