Número de empregos e salários caem mesmo com retomada da produção
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 20 (AE) - A retomada da indústria, verificada a partir de agosto do ano passado, ainda não foi suficiente para iniciar a recuperação salarial dos trabalhadores, como demonstra pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Embora o emprego industrial no primeiro bimestre deste ano tenha apresentado queda de somente 1,3% em relação ao mesmo período do ano passado - uma quebra no ritmo de redução contínua dos postos de trabalho - a massa salarial caiu 4,7% na mesma comparação, indicando uma perda ainda grande.
O rendimento dos trabalhadores em todos os setores, não só na indústria, recuou 5,5% no ano passado, a maior queda desde o Real. As estatísticas do IBGE do início de 2000 demonstram que, por causa do processo inflacionário do ano passado, os rendimentos continuam caindo, ainda na faixa de 5%. A inflação em 1999 não foi tão alta quanto apontavam as projeções do início do ano mas, de qualquer modo, ficaram muito acima das taxas dos anos anteriores. Os preços industriais, por exemplo, subiram em torno de 20%. "Hoje a perspectiva é de manutenção dos preços sob controle", comenta o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales. "É possível que este fator, conjugado a um aumento de produtividade e de mão-de-obra da indústria, seja capaz de reduzir as perdas, mas tudo vai depender do nível de atividade este ano." Segundo Sales, o resultado geral da Pesquisa Mensal de Emprego de fevereiro mostra que está havendo melhora no setor, já que os números estão sendo progressivamente menos negativos. O emprego industrial caiu 0,1% de janeiro para fevereiro. No acumulado de 12 meses, a queda foi de 6%.
Apesar de alta, a taxa é bastante inferior à registrada em fevereiro de 99, que apresentava queda acumulada de -9%. "Por abranger um período longo, o índice que mede o desempenho de 12 meses é um dos mais eficientes para a verificação de tendências", diz Sales. "E, neste caso, está confirmada a trajetória de recuperação do emprego industrial." Mesmo assim, de janeiro para fevereiro, metade dos 22 setores investigados reduziu a mão-de-obra.
Os cortes mais intensos ocorreram na indústria química (-1 9%). O destaque maior, no entanto, é para a indústria de produtos alimentares (-1,3%), por ser o setor que concentra o maior número de trabalhadores e que apresentou redução, de um mês para o outro, em todas as regiões investigadas. Entre os setores que ampliaram as vagas industriais, destacaram-se fumo (42,8%), matérias plásticas (1,5%) e papel e papelão (1,3%).
Regionalmente, apenas na região Sul o número de contratações superou o de demissões (0,8%). As quedas mais pronunciadas no emprego ocorreram no Rio de Janeiro (-1,8%) e Minas Gerais (-1,6%). Houve redução também no Nordeste (-0,4%) e em São Paulo (-0,2%). A comparação do número de trabalhadores empregados na indústria em fevereiro deste ano com fevereiro do ano passado confirma a tendência de melhoria: a queda foi de somente 0,8%.
"A produção industrial, no primeiro bimestre do ano, foi 11% superior à do mesmo período do ano passado", lembra Sales. O fato de a recuperação do emprego e do salário estar ocorrendo em ritmo menor, segundo ele, faz parte do novo cenário industrial, exposto a uma maior competição e com o processo de automação ocorrendo de uma forma mais clara.


