Brasília, 19 (AE) - O número de adoções autorizadas pelo juiz Luís Beethoven Giffoni, no município de Jundiaí, entre 1992 e 1997 - quando comparado ao de outras cidades -, está entre as principais provas colhidas pela CPI sobre as adoções ilegais de crianças. Campinas, por exemplo, que tem três vezes mais habitantes do que Jundiaí, registrou apenas 40 adoções internacionais no período mencionado, enquanto o juiz autorizou na sua cidade 204 adoções. A cidade está à frente ainda de Limeira (33 adoções), Sorocaba (26), Guarulhos (5) e Diadema (4).
O relator Paulo Souto mostrou que o juiz utilizava documentos feitos em série para as adoções, ignorando os prazos estipulados em lei. "As sentenças já estavam prontas", disse o senador. "Apenas se trocavam os nomes dos pais e das mães". Segundo ele
os processos tinham início com a denúncia anônima de que a criança sofria maus-tratos. E, ainda nessa fase, o juiz fazia a citação dos prováveis adotantes.
Outra irregularidade era a citação dos pais das crianças por editais publicados na imprensa, apesar de terem endereço conhecido. Paulo Souto cita no relatório o caso da Cristiane Lopes, que teve o filho tirado dos braços enquanto o amamentava na maternidade. O juiz aceitou como válido um documento com informações falsas, como sua assinatura no mesmo dia do parto, o nome dos filhos que já tinha e a afirmação de que o pai da criança havia falecido. A promotora de Justiça Maria Inês Bicudo
uma das responsáveis pelo Centro de Orientação do Menor de Jundiaí (Comej), é acusada pela CPI de ter compactuado com Beethoven. Os envolvidos no esquema chegaram a divulgar na Internet as facilidades para adoções em Jundiaí.

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