São Paulo, 15 (AE) - A carteira de clientes do Banco Ford deverá encolher 20% este ano, em relação a 1998, período em que já houve uma queda de 15% na comparação com 1997. A informação é do diretor comercial da instituição, Sérgio Silvestre Freitas. Há dois anos, o banco era responsável pela entrega mensal de 10 mil veículos/mês da marca. Hoje, a média está em 4 mil unidades.
Freitas prevê mais três meses turbulência nos negócios com automóveis financiados, em razão, principalmente, da crise na Argentina e outros fatores que abalam o mercado, como a própria reforma ministerial. "Nem deu tempo de a redução das taxas de juros refletir no mercado e fomos pegos por nova instabilidade que está provocando a elevação das taxas", destacou.
O Banco Ford financia hoje 30% dos veículos da marca. O crédito direto ao consumidor passou à frente do leasing. Segundo Freitas, isso se deve à redução do IOF, isento nas operações de leasing. O financiamento responde hoje por 30% das vendas de carros em geral. A participação dos consórcios chega a 15%. A venda à vista é responsável pela maior parte, num total de 55%.
Seguros- Para ajustar os negócios à crise nas vendas, o Banco Ford está diversificando os produtos. Junto com a rede de concessionários, lançou hoje os Seguros Ford. O novo produto foi formado numa parceria com três seguradoras -- Sul América, HSBC e Unibanco, além da Corretora AON. A maior vantagem que a instituição oferece é poder incluir o valor do seguro no financiamento do carro. Assim, o cliente consegue parcelar o seguro com taxas de juros menores.
Os bancos de montadoras têm subsidiado as taxas de juros na venda de automóveis, na tentativa de aumentar o mercado. A Ford está trabalhando hoje com taxa promocional de 0 99% ao mês para financiamento dos modelos Ka e Fiesta. Assim, o seguro pode ser incluído na prestação com a mesma taxa. As administradoras de seguros que atuam hoje no mercado cobram taxa mensal de 3%. A parceria com os concessionáros também garante melhor atendimento para o segurado do Banco Ford.
Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores Ford (Abradif), João Carlos Félix Teixeira, a rede Ford tem hoje estoque de 12 mil veículos. No atual ritmo das vendas, este total é suficiente para 35 dias. Há dois anos, o volume não seria suficiente para mais do que 15 dias. Ele estima que o segundo semestre será melhor, apesar da expectativa de aumento de preços em setembro.
Teixeira disse que a rede não foi ainda apresentada ao novo presidente da Ford Brasil, Antonio Maciel. Não houve também nenhuma mudança de orientação na política de vendas.

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