Número de civis mortos por policiais em SP subiu 142%
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quarta-feira, 14 de julho de 1999
Por Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 15 (AE) - A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo divulgou hoje relatório que registra um aumento de 142% no número de pessoas mortas por policiais civis no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram 46 cidadãos mortos este ano, ante 19 em 98. Cresceu também o número de policiais civis mortos em serviço. Foram 13 casos nos seis primeiros meses deste ano, ante 3 em 98 - um aumento de 333%. No horário de folga, houve nove mortes, ante uma registrada no ano passado.
Mesmo com o salto no número de mortes praticadas pela Polícia Civil, a Polícia Militar continua matando mais. No primeiro semestre de 98 foram computadas, segundo a Ouvidoria, 220 mortes. Este ano, a PM matou dez pessoas a mais. Para o ouvidor Benedito Mariano, o aumento no número de mortes vem ocorrendo porque a Polícia Civil está, cada vez mais, fazendo o policiamento ostensivo. "Esse papel não é o dela", disse. "A possibilidade de ser morto numa investigação é pequena", completou. "A Polícia Civil está copiando o lado negativo da PM".
O delegado-geral Marco Antônio Desgualdo discorda do ouvidor. Para ele, a Polícia Civil está cumprindo o seu papel, sim. "Para investigar, o policial precisa ir às ruas", afirmou. "A investigação termina com a prisão e é isso que procuramos fazer, mas, algumas vezes, pode haver o confronto". Queixas - Nos meses de abril, maio e junho, a Ouvidoria recebeu 1.279 queixas e 26 elogios em relação às duas polícias. "O abuso de autoridade é a principal reclamação contra a PM", relatou Mariano. "Já, na Polícia Civil, o crime de extorsão foi o que mais aumentou". Entre os mortos pelas duas polícias no segundo trimestre, 63% não tinham antecedentes criminais. Na capital, a zona leste registrou mais homicídios praticados por policiais.
A Ouvidoria também constatou aumento de 7,14% no número de suicídios entre PMs. No primeiro semestre, foram 15 casos. Este mês, mais cinco PMs se mataram. Segundo a Comunicação Social da PM, os policiais têm acompanhamento psicólogico, jurídico e religioso. Um estudo aponta os três principais motivos para o suicídio: problemas conjugais, financeiros e alcoolismo.


