Número de casos de malária na Reserva Ocoí sobe para 8
Técnicos da Fundação Nacional de Saúde (FNS) começaram ontem a operação de emergência contra o foco de malária na reserva indígena Avá-Guarani de Santa Rosa do Ocoí, em São Miguel do Iguaçu (43 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). A borrifação das 114 casas da aldeia iniciou no mesmo dia em que os agentes tiveram a confirmação de mais três casos, elevando o total de infectados de cinco para oito.
O número deve aumentar a medida que forem divulgados os exames dos cerca de 420 índios. Dos oito contaminados, sete têm de 1 a 17 anos, e um tem 65 anos todos já medicados. O aumento de casos preocupa a equipe da Divisão de Vigilância Epidemiológica (Divep), que improvisou um laboratório no posto da Funai. Antes, os testes eram realizados em Foz. A tribo não registrava a doença desde 1996.
Os 12 técnicos devem terminar a borrifação no interior e ao redor das ocas no máximo até sábado, disse João Medina, técnico da Divep deslocado de Curitiba para São Miguel do Iguaçu. Ontem, o grupo passou a manhã e a tarde percorrendo as trilhas da aldeia, de 231 hectares, para passar o veneno contra mosquito Anopheles darlingi (transmissor da moléstia) nas cabanas de madeira, que têm várias frestas.
A ação, entretanto, não acaba com a possibilidade de novas contaminações devido à facilidade de proliferação do mosquito na aldeia, situada à beira do Lago Itaipu. A reserva possui vários focos do Anopheles darlingi sem o protozoário da malária. Mas o mosquito pode transmitir a doença se picar uma pessoa contaminada e depois uma saudável.
Devido a dificuldade em pulverizar toda a aldeia, a Divep iniciou um trabalho de conscientização, alertando sobre o perigo de ficar perto dágua ao amanhecer e anoitecer períodos em que o Anopheles darlingi ataca o homem. A moléstia foi levada para a reserva Ocoí por uma índia picada pelo mosquito numa tribo Avá-Guarani em Hernandárias, Paraguai. Não há vacina para a malária. Os principais sintomas são febre alta e dores na nuca.





