Rio, 22 (AE) - O número de casos de malária no Estado Amazonas dobrou nos últimos quatro anos. De 55 mil em 1994, passou para 110 mil no ano passado, de acordo com registros da Fundação Nacional de Saúde (FNS). A razão para o crescimento de ocorrências da doença é o desmatamento desordenado na região. O tema será debatido quarta-feira no seminário "Visões da Amazônia: Cultura, Ciência e Saúde", organizado pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz).
De acordo com o chefe do escritório da Fiocruz em Manaus
Luciano Toledo, os maiores responsáveis pelo desmatamento e, consequentemente, pelo aumento da malária, são as madeireiras, os garimpeiros, a modernização agrícola, as frentes de assentamento e o crescimento desenfreado da periferia de Manaus, que avança floresta adentro. O motivo é o mesmo: ao promoverem um desmatamento desordenado, lançam vegetação nos rios, represando-os e formando pequenas lagoas. "Esses locais são ideais para o mosquito procriar", explicou Toledo.
A malária vem atingindo principalmente a população indígena. Em alguns municípios, do total de contaminados, 75% são índios. "Não dispomos, no entanto, de uma estatística geral", afirmou Toledo. "Mas sabemos que os índios são os mais atingidos porque são mais expostos aos garimpeiros e madeireiras." Outro problema enfrentado pela Fiocruz é a falta de registro de óbitos na região. Segundo Toledo, a secretaria estadual de Saúde do Amazonas não registra as mortes por malária desde 1996.
Outra doença que vem se alastrando na Amazônia, de acordo com as estatísticas da FNS, é a dengue, inexistente na região até 1980. No ano passado, somente em Manaus, foram registrados 24 mil casos da doença, colocando o Amazonas na incômoda posição de líder nacional em número de casos, com 170 doentes por mil habitantes.
Nesse caso, explicou Toledo, a principal causa é o lixo urbano, proveniente do crescimento desordenado de Manaus. "Com a incapacidade do Estado de fazer frente à coleta, surgem muitos locais para o desenvolvimento do mosquito, como latas e pneus", disse. Segundo ele, o mosquito causador da dengue só se desenvolve em porções pequenas de água.

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