Curitiba - O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) não tem controle sobre o número de imigrantes ilegais brasileiros que são presos nos Estados Unidos. A justificativa para a falta de informações é que cada estado norte-americano tem legislação específica e não há lei que determine que as prisões sejam comunicadas ao governo brasileiro. O ministério, no entanto, não acredita na possibilidade de que existam imigrantes ilegais presos há mais de quatro anos nos EUA, conforme foi noticiado em matéria da Agência Estado, publicada na edição de ontem.
O Itamaraty acredita que os brasileiros presos há tanto tempo devem estar respondendo a processos criminais e não estão detidos apenas por estarem ilegalmente no país. Segundo a assessoria de Comunicação Social do Itamaraty, os processos de deportação demoram em média entre 45 dias a dois meses.
Desde o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, o ministério calcula que as detenções de imigrantes brasileiros ilegais aumentaram em 20%, por causa do maior rigor pelas autoridades americanas na concessão de vistos e no controle da entrada de estrangeiros.
Hoje, a maioria dos brasileiros que tentam ingressar clandestinamente no país o faz via México. Com isso, o maior número de detenções ocorre no estado fronteiriço do Texas, que detém alguns dos presídios de maior rigidez e disciplina dos EUA.
Segundo o Itamaraty, o número de brasileiros detidos em situação irregular nos EUA flutua entre 800 e 900. Destes, cerca da metade está em condições de voltar imediatamente para o Brasil, pois já foram ouvidos pelo juiz e cumpriram todo o processo legal para a repatriação.
O governo americano também tem interesse na volta dos brasileiros, uma vez que cada preso custa US$ 80 por dia que são pagos aos presídios, todos terceirizados. Há seis meses os EUA se propuseram a fretar um vôo para a viagem de retorno ao Brasil. O Itamaraty, no entanto, receia que esta deportação em massa resulte em uma imagem negativa para os brasileiros.
Uma comissão formada pelos senadores Hélio Costa (PMDB-MG) e Marcelo Crivella (PL-RJ) e pelo deputado João Magno (PT-MG) iniciou, na segunda-feira, uma visita de cinco dias aos Estados Unidos, para acelerar as negociações sobre a repatriação dos brasileiros. Os parlamentares também visitarão os presídios do Estado do Texas para apurar denúncias de maus-tratos e torturas.
A Folha tentou contato com a Embaixada Brasileira, em Washington, e com o Consulado do Brasil, em Nova York, mas não obteve retorno das ligações. A assessoria de imprensa do senador Hélio Costa que obteve os dados com o Departamento Americano de Segurança Interna também não soube informar quantos imigrantes ilegais do Paraná estão detidos no país norte-americano. A maioria cerca de 60% seria de imigrantes mineiros. (Colaborou Andréa Lombardo)

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