Número de assassinatos cai, mas o medo persiste entre os residentes
Número de assassinatos cai, mas o medo persiste entre os residentes9/Mar, 11:41 Por Matthew J. Rosenberg Kingston, Jamaica (AE-AP) - A tomada de posições draconianas em relação aos crimes praticados por gangues ajudou a Jamaica a baixar seu crescente número de assassinatos no ano passado. Mas não peça aos jamaicanos para sentirem-se melhor com esse fato. "Eu tenho três armas e minha esposa também sabe como usá-las", conta David Johnson, que vive em Kingston, nas vizinhanças de Beverly Hills. "Quando eu vou dormir à noite, mantenho uma arma carregada ao alcance das minhas mãos". Johnson e seus vizinhos continuam assombrados pela onda de crimes que no último verão matou 100 pessoas em apenas seis semanas. A violência chegou a atingir os bairros mais ricos da capital. Uma ex-ministra de 80 anos foi assassinada por um ladrão dentro de sua casa. Para combater o que chama de "um dilúvio de loucura criminal", o primeiro-ministro P.J. Patternson enviou uma força policial fortemente armada, além de soldados para as áreas centrais mais violentas de Kingston. Eles colocaram barreiras, estabeleceram toque de recolher e fizeram buscas em casas à procura de criminosos e armas. O resultado: o número de crimes caiu 11% no ano passado, de 953 em 1998 para 849. Outros crimes também tiveram seus números reduzidos, entre eles estupros e roubos. "Nós fomos capazes de enfraquecer o movimento das gangues, de impedir a ação de criminosos", disse o vice-superintendente da polícia A.J. Forbes. "Conseguimos interferir na circulação de armas de uma área para outra e desestabilizamos os criminosos que nós não prendemos". Se o melhor policiamento teve um bom efeito, alguns analistas dizem que uma trégua declarada pelos líderes guangues rivais em algumas áreas centrais também ajudaram na redução do número de assassinatos na última metade do ano passado. O fato não aliviou o medo do crime que é amplamente compartilhado pelas pessoas deste país caribenho de 2,6 milhões de habitantes. Em relação à população, o número de assassinatos do país continua a ser cinco vezes superior ao dos EUA. "Assassinatos e o aumento dos roubos na cidade alta, onde são mais percebidos, deixa a impressão de um abrangente aumento e gera temores", diz Brian Meeks, cientista político da Universidade das Índias Ocidentais. "Pela maneira que a sociedade jamaicana está estruturada, se dez pessoas são mortas no centro da cidade ou dez pessoas não são mortas, ninguém ouve e ninguém se importa". Enquanto muitos residentes, como Johnson, armaram-se, outros recorrem às cerca de 100 empresas de segurança privada da Jamaica. "O negócios está aumentando. Nós esperamos um bom ano", diz Valerie Juggan-Brown, diretor-gerente do Guardsman Group, que fornece guardas armados, cachorros e outros serviços de segurança para casas e negócios. Nas vizinhanças pobres do centro de Kingston, há uma animosidade profundamente arraigada em relação aos policiais, que são geralmente vistos como agentes da elite do país. "A polícia, eles descem aqui à noite e dizem para eu sair da esquina ir para dentro" ,diz Lewis Stephens, um jovem desempregado com desordenados cabelos no estilo rastafari, numa esquina em Tel Aviv, um bairro pobre, destruído por conflitos. "Eu só quero jogar dominó, mas eles querem apenas me lembrar quem eu sou e onde eu vivo". A polícia é frequentemente acusada de recorrer ao uso da força muito rapidamente. Os oficiais da capital mataram 151 pessoas em 1999, e 145 no ano anterior. Essas mortes não estão incluídas nas estatísticas de homicídio. "As pessoas reclamam da polícia e dizem que há abusos e coisas no gênero e eu não tenho dúvidas de que há", diz o ministro da segurança nacional jamaicano, K.D. Knight. "Mas lembre-se que há pessoas dentro das sociedades que simplesmente não querem qualquer policiamento aconteça". Um recente editorial do Daily Observer elogia a polícia pela queda no número de crimes, mas diz que a situação continua ameaçadora para muitas pessoas. "O declínio das estatísticas criminais parecem ter um efeito contrário para o jamaicano médio", diz o Observer. "Quase todo mundo foi ou conhece alguém que tenha sido vítima de um crime".





