São Paulo, 01 (AE) - Embora não existam estatísticas oficias, especialistas garantem que o número de adolescentes fumantes no Brasil está aumentando. A tendência é provocada pela combinação de uma série de fatores. "Os cigarros estão mais baratos, os fabricantes fazem propaganda do produto com muita habilidade e, principalmente, não há no País nenhuma política de prevenção contra o fumo", diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que também é coordenador da Unidade de álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo.
A inércia na área de prevenção manifesta-se de diversas maneiras. "Além de não haver campanhas de qualidade para evitar o fumo, o acesso ao cigarro é muito fácil", diz. As leis, completa, são insuficientes e nem sempre cumpridas. A professora do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo Beatriz Carlini Cotrin concorda. Ela ressalta que, apesar de ser proibido fumar nas escolas, há um grande número de estudantes que não encontra problemas para acender seus cigarros em corredores, pátios ou banheiros dos colégios.
Segundo Laranjeira, a experiência de outros países demonstra que somente com uma política séria de prevenção seria possível diminuir o número de fumantes. "O ideal é que sejam veiculadas propagandas mostrando aos jovens situações atraentes ligadas ao hábito de não fumar, como prática de esportes e aventura", afirma. Ele sugere também a proibição dos comerciais de cigarro e o aumento dos preços. O médico assinala que, na Califórnia, na venda de cada cigarro, U$ 0,25 vão para campanhas antitabagismo. Segundo ele, em 12 anos, o número de dependentes diminuiu muito e, hoje, o Estado apresenta um dos menores índices de fumantes dos EUA. Tentativas - "Nunca fiquei impressionada com as campanhas de televisão", afirma a estudante Mariana Pagetti, de 17 anos. "Já vi até algumas fotos dos efeitos do cigarro, mas o apelo e a curiosidade sempre foram mais fortes". Mariana fumou pela primeira vez aos 12 anos. "Vi que o cigarro não ajuda em nada, nem mesmo na auto-afirmação", confessa. Ela diz já ter tentado parar de fumar mais de uma vez.
O namorado de Mariana, Eder Moraes, de 18 anos, apresenta a mesma dificuldade. "Fumo desde os 14, mas gostaria de nunca ter colocado um cigarro na boca". Depois que começou a fumar, Eder interrompeu o futebol, por falta de fôlego. "Sabia que cigarro faz mal, mas a gente sempre acha que o pior nunca vai acontecer conosco".