Curitiba O crescimento do número de famílias de sem-terra acampadas no Paraná, que passou de 2,5 mil em dezembro do ano passado para cerca de 11 mil famílias atualmente, está assustando os fazendeiros. Diante dessa mobilização já surgiu um foco de tensão na região Oeste do Estado. Os fazendeiros estão se armando, e denominaram a organização de Primeiro Comando Rural (PCR).
Para esfriar os ânimos dos dois lados, a ouvidora Agrária Nacional, Maria de Oliveira, reuniu-se ontem, em Curitiba, com o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa de Lacerda, e com a equipe da Comissão Especial de Mediações das Questões da Terra. Padre Roque Zimmermann, secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social; o bispo auxiliar de Curitiba, dom Ladislau Biernascki e o assessor da Secretaria de Segurança Pública, Benjamim Zalorensi, integram a comissão.
No encontro, o superintendente do Incra disse que o órgão ainda está fazendo o levantamto de famílias acampadas. ''Mas é possível projetar esse número com a elevação do número de acampamentos que estão se formando'', salientou. Ele adiantou que já são 84 as áreas de conflito no Estado.
A ouvidora sabe que o Paraná não tem terras para atender a demanda de famílias de sem-terra, que está reprimida. De acordo com Maria de Oliveira, o Paraná se atrasou muito na reforma agrária, no governo anterior, quando muito dinheiro do programa foi devolvido, sem nada ter sido feito. Ela avisa que serão desapropriadas áreas no Paraná, tanto improdutivas como produtivas. A ouvidora disse que o Incra já tem mapeadas as áreas improdutivas no Estado que serão desapropriadas. Ela não soube dizer como vão ocorrer as desapropriações em áreas produtivas.
Os produtores que estão se armando serão convidados a dialogar. Caso não haja entendimento, o governo federal não vai tolerar milícias da iniciativa privada e sabe que pode contar com o apoio do governo estadual, disse a ouvidora. ''Agora existe uma direção e a reforma agrária no Paraná vai sair'', garantiu.
Segundo o superintendente do Incra, com a vitória do PT nas eleições presidenciais a demanda por terra por parte das famílias de sem-terra aumentou muito. A tendência para quem está sem expectativas no campo foi partir para os acampamentos, justificou. A preocupação é que o PT ainda está organizando seu programa nacional de reforma agrária, que só deve ser lançado em julho. Por enquanto, o Incra está sem dinheiro, sem estrutura e também sem diretriz para implementar qualquer programa de reforma agrária, admitiu.
O levantamento que está sendo feito pelo Incra-PR dará condições para que sejam distribuídas cestas básicas para as famílias acampadas, e também para implementar ações imediatas de educação e saúde. A previsão é que sejam distribuídas 350 toneladas de alimentos para as famílias de acampados.

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