Nucrisa apura denúncias de sangue contaminado
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terça-feira, 10 de março de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O Núcleo de Repressão aos Crimes Contra Saúde (Nucrisa), órgão ligado a Polícia Civil, recebeu oito denúncias, desde 2005, de suspeitas de transfusões de sangue contaminadas pelo vírus do HIV, em Curitiba. Esses casos, de acordo com a delegada da unidade, Paula Brisola, são raros e as denúncias eram de transfusões antigas. Hoje é muito difícil. O controle de qualidade é muito mais rigoroso, explicou.
A delegada esclareceu que as suspeitas foram investigadas e os inquéritos encerrados. Na segunda-feira, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi condenado pelo juíz federal Friedmann Anderson Wendpap, da 1ªVara Federal de Curitiba, a pagar R$ 40 mil para um casal que teve o filho recém-nascido contaminado por uma transfusão de sangue feita, em 1992, na instituição.
O Ministério Público (MP) Estadual informou que investigações como a que resultaram na condenação da UFPR não são comuns. Conforme o MP, havia duas investigações em andamento, que teriam sido encaminhadas para o Nucrisa.
A delegada Paula Brisola explicou que esses dois casos não estão relacionados com transfusões de sangue contaminado por HIV. Atualmente, o MP e o Ministério Público Federal, no Paraná, não têm investigação em andamento.
A diretora do HC, Heda dos Santos Amarante, não nega que um bebê possa ter sido contagiado pelo HIV em uma transfusão de sangue, em 1992, na instituição que dirige atualmente. Entretanto, ela disse que o hospital vai usar todos os recursos possíveis para reverter a decisão, já que não ficou comprovado que a transfusão ocasionou a morte da criança.
Acredito que pode ter acontecido mesmo, afirmou. Entretanto, a diretora do HC defende que um caso como esse não aconteceria novamente em razão do rigoroso controle de hemoderivados do hospital. De acordo com ela, um erro no processo de trabalho pode ter ocorrido naquela época.
Heda informou que o processo iniciou quando um relatório da Vigilância Sanitária detectou um doador de sangue daquele ano infectado com HIV. Esse sangue deveria ter sido descartado, disse a diretora, que diz confiar no relatório e no trabalho da Vigilância.


