Núcleo quer ampliar atendimento
Marcos Zanatta
De Maringá
A direção do Núcleo Social Papa João XXIII, que desenvolve um dos trabalhos mais completos com famílias carentes de Maringá, está iniciando uma campanha para substituir as casas de madeira por imóveis de alvenaria. São 65 casas construídas com a madeira da antiga catedral de Maringá, há 26 anos, que abrigam as famílias atendidas. O núcleo já conseguiu construir 14 casas de alvenaria, mas esbarra na falta de verbas até para manter o trabalho com as 170 crianças, a maior parte moradoras em torno do núcleo.
O principal objetivo do núcleo é viabilizar a construção da casa própria para as famílias incluídas no programa. No início, lembra a irmã Izabel Facundo, vice-presidente de promoção social do núcleo, as casas abrigavam famílias que chegavam em Maringá e não tinham para onde ir. Hoje, o trabalho é bem mais amplo e a prioridade é um atendimento completo, inclusive com orientação aos pais e total acompanhamento das crianças. Só conseguimos isso graças a vários setores da comunidade, esclarece irmã Izabel. -
Além da Igreja Católica e das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, o núcleo envolve também os Irmãos Maristas, através da Associação Brasileira de Educação e Cultura (Abec), a prefeitura de Maringá e funcionários do Banco do Brasil e do Banespa.
As famílias são indicadas por padrinhos, que ajudam a fazer a poupança. Irmã Izabel explica que é feito um contrato de 3 a 4 anos, período em que a família vai ocupar a casa cedida e fazer uma poupança no valor de 12 sacas de cimento. O dinheiro é mantido em uma conta especial para a construção da casa própria.
Durante o período em que a família fica na casa, os filhos menores têm que frequentar uma escola oficial e participar dos programas do núcleo. Os pais participam de trabalho de reestruturação familiar, recebendo inclusive ajuda para alimentação.
As crianças recebem reforço escolar, alimentação, lazer, formação religiosa e atendimento médico, odontológico, psicológico e social. Os adolescentes participam de oficinas de artesanato e do programa de profissionalização. Atendemos também filhos de famílias que não estão incluídas no projeto, diz irmã Izabel.
Nos 26 anos de existência do núcleo, 410 famílias já passaram pelo programa e hoje moram em casa própria. Se não fosse o trabalho do núcleo não sei o que seria da minha família hoje, diz Aparecida de Fátima Oliveira. Ela, o marido e quatro filhos menores foram abrigados há nove anos em uma das casas do núcleo, construíram o imóvel próprio e hoje todos trabalham. Aparecida conseguiu passar em um concurso da prefeitura e atualmente trabalha no núcleo.
O presidente do núcleo, Hugo Hoffmann, explica que a construção de casas de alvenaria em substituição aos imóveis de madeira é uma questão de economia. As casas estão bem-conservadas, os moradores cuidam, mas são antigas e a manutenção tem um custo muito alto, explica. Hoffmann revela que este ano o núcleo não recebeu nenhuma verba do Estado ou da União, o que dificultou ainda mais o trabalho com as famílias.





