Núcleo do MP vai atender vítimas em Curitiba
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terça-feira, 05 de novembro de 2013
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - A partir de amanhã o Ministério Público do Paraná (MPPR) passa a oferecer um serviço de apoio e acolhimento para que vítimas de estupro (tanto mulheres quanto homens) possam superar o trauma e romper o silêncio, denunciando os autores dos crimes. Para isso foi criado o Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (Naves), que entra em funcionamento na capital. Conforme o MPPR, a ideia é encorajar as vítimas que, com frequência, não denunciam as agressões sexuais, seja por medo ou vergonha.
De acordo com a procuradora de Justiça, Rosangela Gaspari, que atua na 4ª Procuradoria de Justiça Criminal e que coordenará o núcleo, o objetivo é prestar assistência às vítimas, mediante orientação jurídica e apoio psicológico para minimizar os danos da agressão. Além disso a proposta é oferecer o amparo para dar continuidade às denúncias.
"Em muitos casos a vítima vai até o hospital ou nem chega a ser atendida e desiste de levar as investigações adiante porque se sente insegura. E a impunidade acaba sendo uma consequência deste comportamento. Queremos mudar este cenário", ressaltou a promotora.
O núcleo fará o acompanhando das investigações (inquéritos policiais) e das medidas cautelares relacionadas a crimes de estupro praticados em Curitiba, com o oferecimento das respectivas denúncias para maior rapidez nos processos e a responsabilização dos autores. Contará, ainda, com o auxílio de uma psicóloga, para atender as vítimas. "Muitas vezes é difícil para a pessoa vir até o MP e também comparecer nas audiências porque ela acaba revivendo tudo aquilo que queria esquecer. E o núcleo vem para reerguer ou reforçar a confiança da vítima, tanto para manter a denúncia para que o culpado seja punido, quanto para conseguir prosseguir com sua própria vida", afirmou a psicóloga do Naves, Erica Eiglmeier.
Segundo o MPPR, não serão de atribuição do Naves situações que envolvam crianças e adolescentes e violência doméstica, por serem abrangidos por outras promotorias especializadas (Núcleo de Gênero e Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, além da 12ª e 13ª Promotorias de Justiça).
Somente na capital, conforme dados do MPPR, há 100 investigações de estupro em andamento e 200 em fase de ação penal. Para a formação de um quadro estatístico sobre casos de estupro mais próximo da realidade, o Naves também terá como objetivo a consolidação das informações sobre atendimentos a vítimas de estupro. Esse serviço reunirá dados do Instituto Médico Legal (IML), das polícias Civil e Militar, dos hospitais e do Poder Judiciário.


