O Núcleo Regional de Educação e Ensino de Londrina (NRE) orientou os diretores das escolas estaduais a aglutinar turmas que estiverem com poucos alunos. Embora a orientação tenha sido repassada no início da semana, o prazo para a entrega das justificativas dos professores venceu ontem e foi considerado exíguo por professores ouvidos pela reportagem.
A chefe do NRE, Lúcia Aparecida Cortez Martins, declarou que o prazo foi suficiente para que todos os professores realizassem essas justificativas. Segundo ela, o prazo não poderia se estender mais porque o segundo semestre já se iniciou. Questionada sobre o porquê do pedido para a justificativa não ter sido realizado antes, ela disse que esperou as matrículas das transferências do segundo semestre serem concretizadas para ter uma informação mais precisa.
Lúcia Martins declarou que a média de alunos por sala de aula depois da aglutinação será inferior ao que recomenda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. ''Os números apontados pela LDB estão fora da realidade e nossas salas possuem menos alunos do que ela recomenda.''
Ela diz que as salas que possuem uma metragem abaixo dos 49 m2, que é o padrão vigente na maior parte das escolas, e também as turmas que tenham alunos com deficit no aprendizado também podem ter turmas com menos alunos.
Em fevereiro deste ano a deputada estadual Luciana Rafagnin apresentou um projeto de lei elaborado de acordo com sugestões da APP-Sindicato que propõe o limite de alunos por sala de aula nas escolas do Paraná. O limite máximo de alunos segundo o projeto é de oito alunos para a Educação infantil de 0 a 2 anos de idade; de 15 alunos para a Educação Infantil de 3 a 5 anos; de 20 alunos para os alunos do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental; até 25 alunos para os alunos de 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental; até 30 alunos para os 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e até 35 alunos para as turmas de Ensino Médio. A chefe do Núcleo diz que respeitará todos esses limites.
O professor Luiz Fernando da Silva, da Escola Estadual Dom Geraldo Fernandes, em Cambé, diz que a situação preocupa, pois o comunicado prevê o remanejamento dos professores para outras escolas e que os professores não concursados podem perder o contrato. Ele diz que, segundo a orientação, podem ser criadas turmas de 40 a 45 alunos no Ensino Médio, de 35 a 40 alunos do 6º ao 8º ano e de 30 a 35 alunos no 5º ano. ''Com certeza irá prejudicar o aprendizado dos alunos, que podem apresentar queda no rendimento'', afirma.
Uma outra professora que leciona em um colégio em Londrina, que pediu para não ser identificada, disse que o comunicado veio de maneira deliberativa e não como orientação como afirma a chefe do núcleo. '' Falaram para a gente que deveria ser feito daquele jeito'', comenta. Ela diz que se a chefe do núcleo diz que irá respeitar os limites sugeridos pela APP-Sindicato, ela fica menos preocupada. '' Caso contrário todos devem se preocupar, pois o ensino pode ser prejudicado'', expõe.

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