Núcleo da inflação cresce mais que o IPC
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domingo, 26 de março de 2000
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 27 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas (FGV) registrou nos últimos meses um aumento consistente do indicador de núcleo de inflação, taxa que exclui as variações sazonais de grande impacto no custo de vida. Os números mostram que o indicador quase dobrou de patamar entre o segundo e o quarto trimestre de 1999, passando de 0,89% para 1,50% no período.
Em fevereiro, o indicador apresentou, pela primeira vez desde setembro, uma variação acima do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no período. Foi apurada alta média de 0,17% nos preços que constituem o núcleo da inflação, enquanto o IPC subiu apenas 0,05% no mês passado. O comportamento do núcleo pode ser um dos primeiros sinais de que o reaquecimento da economia afetou os preços.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota, explicou que a deflação verificada nos artigos de vestuário e na alimentação foi a grande responsável pela quase estabilidade do IPC em fevereiro. Todos os outros setores apresentaram um aumento de preços, principalmente o de transporte, que sentiu o efeito do reajuste dos combustíveis.
Cota não arrisca um palpite para o núcleo de inflação de maio, mas destaca que é preciso ficar atento ao comportamento do indicador. "O governo olha para o núcleo na hora de calibrar a política monetária e fixar a taxa de juros", explicou. Essa pode ser uma das explicações para que a equipe econômica tenha evitado mexer nos juros na reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom).
Pesquisa - Uma pesquisa feita pelo Grupo de Comunicação Institucional com aproximadamente 6 mil bancos, consultores, institutos de pesquisa e indústrias detectou que 62,5% dos entrevistados acham que a inflação medida pelo IPCA do IBGE fechará o ano entre 6% e 6,99% ao ano.
O percentual está dentro da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (BC) para este ano, que é de 6% com um intervalo de variação de 2% para cima e para baixo. Outros 25% dos entrevistados responderam aos formulários encaminhados pelo BC dizendo que a inflação medida pelo IPCA deve ficar em um patamar entre 7% e 7,99%. Para o ano que vem, 43,5% dos entrevistados apostaram numa inflação entre 4% e 4,99% e outros 21,7% responderam que o IPCA pode ficar numa faixa entre 5% e 5,99%.


