Londrina - No final do ano passado, uma reunião entre representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD) e Secretaria Municipal de Educação de Toyohashi, da província de Aichi, no Japão, definiu que as três entidades brasileiras estabeleceriam, no início deste ano, um plano de informação e apoio para facilitar a adaptação dos ex-alunos do Japão, filhos de dekasseguis retornados, nas escolas brasileiras. O projeto recebeu o nome provisório de Núcleo de Apoio aos Retornados do Japão.
A reunião realizada na Seed, em Curitiba, foi motivada pela visita do professor Kenichi Sakai, supervisor educacional do Departamento de Política Educacional da Secretaria de Educação de Toyohashi, que permaneceu no Paraná entre setembro e início de dezembro. Ele visitou cidades como Curitiba, Londrina, Maringá e Paranavaí (cidade-irmã de Toyohashi), com o objetivo de avaliar a questão de adaptação nas escolas brasileiras das crianças que voltaram do Japão com a família.
Durante o encontro, Sakai apresentou um resumo de sua visita e sugestões para o sistema de apoio aos ex-alunos do Japão. Segundo o presidente da ABD, Teichum Hiramatsu, a notícia e preocupação que o governo japonês tem é que esses alunos têm encontrado muitas dificuldades de adaptação em escolas brasileiras por não conhecerem bem o português.
O professor Luiz M. S. Gardenal, diretor do Departamento de Letras Estrangeiras da UFPR e coordenador do Núcleo, as ações deverão ser realizadas em quatro frentes: reforço das aulas (conteúdo curricular) em língua japonesa; ensino/reforço da língua portuguesa; assistência psicológica à criança e à família; criação de espaço de convivência para as crianças nos moldes dos existentes no Japão, para que possam matar a saudade.
"A intenção, futuramente, é que antes da família sair do Japão já seja iniciado um trabalho de readaptação ao Brasil", detalhou o professor. Segundo ele, o Núcleo contará com uma espécie de subsede em Paranavaí (Noroeste), com a presença de alguns profissionais. Aquele município é cidade-irmã de Toyohashi e no passado viu muitos de seus moradores rumarem para o Japão, em busca de novas oportunidades. Agora Paranavaí vem recebendo de volta seus filhos, que encontram dificuldades para se readaptar.
De acordo com a professora de Língua Portuguesa e técnica-pedagógica da Coordenadoria de Gestão Escolar da Seed, Rosineide Fréz, a preocupação, tanto do governo japonês quanto do governo paranaense, é dar atendimento aos filhos de famílias que imigram de um país para o outro. A professora informou que a Seed realizou uma pesquisa por amostragem em 450 escolas estaduais de várias regiões do Estado, apurando que em 65 delas há alunos que vieram do Japão nos últimos anos.

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