Novos veículos usam tecnologia para ajudar motoristas
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 14 (AE) - A indústria automotiva decidiu intensificar o lançamento de produtos para facilitar a vida de quem passa muito tempo dentro do carro. Até o final deste mês, a Visteon, fabricante de componentes, vai colocar à venda no mercado brasileiro um sistema de áudio que liga o aparelho celular ao rádio. Outras facilidades estão sendo testadas nos Estados Unidos e Europa. Equipamentos acionados por comando de voz devem se firmar nestes mercados em dois anos e meio e, depois disso, serão testados no Brasil.
O "Hands Free", nome do sistema que integra o equipamento de áudio do automóvel ao aparelho celular, é um projeto da Visteon feito para o Brasil. O diretor de marketing para a América do Sul, Marcel Oliveira, explica que, ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos não é proibido dirigir falando ao celular. "Mesmo porque a maior parte dos carros americanos usa câmbio automático", completa o presidente da Visteon, José Hélio Contador Filho.
Ligado ao aparelho telefônico por um cabo, o Hands Free permite atender ao telefone por meio do acionamento da função "phone", no próprio rádio. A ligação passa a ser transmitida pelos alto-falantes do carro. A qualidade do som é uma das vantagens em relação aos equipamentos de viva-voz existentes no mercado. Durante a chamada, volume e outras funções - como grave e agudo - podem ser ajustados do rádio.
Os rádios que incluirão o Hands Free deverão chegar ao mercado custando entre R$ 400 e R$ 500. Posteriormente, a Visteon pretende oferecer o produto às montadoras para que o acessório possa ser instalado como equipamento de série em alguns modelos.
Outro equipamento que está sendo preparado pela Visteon para o carro brasileiro do século 21 é o farol inteligente, cujo foco de luz chega à estrada antes de o veículo completar a curva. "Isto impede que a luz fique concentrada somente na vegetação do lado de fora da estrada, por exemplo", explica Oliveira. Não há data precisa para o equipamento chegar ao mercado.
A indústria automotiva também está preparando equipamentos para divertir quem viaja no banco traseiro. Telas de vídeo, instaladas no encosto do banco dianteiro poderão ser usadas para as crianças jogarem vídeogame ou assistirem a filmes. O comando do vídeogame estará instalado no próprio banco do automóvel e inclui fones de ouvido. O produto, que está sendo desenvolvido pela Visteon em parceria com a Nintendo, chegará ao mercado no início do próximo ano e será inicialmente oferecido para vans.
Navegação - Segundo Contador Filho, todos os novos conceitos podem chegar rapidamente ao Brasil. "O que deverá demorar mais é o sistema de navegação", destaca. Neste caso, o desenvolvimento da tecnologia automotiva está preso à necessidade de mapeamento correto das áreas urbanas.
Os chamados sistemas de transporte inteligente, que ajudam o motorista a chegar ao destino desejado, se baseiam num mapa cartográfico digitalizado da região. O sistema processa a posição da informação atual e do destino, oferecendo a melhor rota. Este sistema já é utilizado nos Estados Unidos, Japão e Alemanha e a Delphi, outro fabricante de sistemas, promete desenvolvê-lo para equipar o Vectra, da General Motors, em até três anos.
Também a Delphi desenvolveu um piloto automático que vai equipar o modelo XKR da Jaguar ano 2000. Este sistema ajudará o motorista a manter uma distância adequada do veículo à frente, aumentando ou reduzindo a velocidade do automóvel automaticamente, conforme a necessidade.
No último Salão do Automóvel de Frankfurt, o maior do mundo, estes fabricantes apresentaram sistemas de comunicação ativados por comando de voz, que incluem desde o controle de funções de áudio e de temperatura, até o sistema de navegação, recebimento e envio de e-mails ou até o enchimento do air bag numa colisão.
No caso do equipamento que funciona como uma extensão do computador pessoal, que está sendo desenvolvido na Europa e Estados Unidos, o motorista pode se comunicar com a Internet, acionar socorro de emergência e atendimento para problemas mecânicos. Tudo sem tirar os olhos da estrada ou as mãos do volante. "Temos de pensar em soluções porque o indivíduo passou a ficar muito mais tempo dentro do carro", afirma Contador Filho.


