Novos tiros levam MST a desmontar acampamento
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quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Agência Folha 
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) retirou ontem o acampamento da fazenda Concórdia, em Tarabai (610 quilômetros a oeste de São Paulo), no Pontal do Paranapanema, após novos disparos feitos por seguranças da propriedade durante a madrugada.
A fazenda é do vice-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Guilherme Prata. Anteontem, ele, familiares e seguranças receberam à bala 400 famílias que tentaram invadir a área. Foram feitos cerca de 200 disparos, de acordo com a Polícia Militar.
Os novos disparos começaram no final da noite de anteontem, depois que o presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos, foi ao local para acalmar os fazendeiros. Santos acusou o MST de alimentar o clima de tensão. Eles têm uma tática de envenenar o ambiente. Um Corcel verde foi até a ponta da fazenda e acendeu o farol, como se fosse entrar. Os fazendeiros aceitaram a provocação e atiraram.
Segundo o delegado de Tarabai, Adalberto Gonini, foram registrados cerca de 15 tiros, a partir das 23 horas de anteontem e durante a madrugada de ontem. Ninguém se feriu. Às 2 horas, foi chamado reforço policial. O agente da CPT (Comissão Pastoral da Terra) João Mendes disse que os seguranças destruíram barracas, obrigando as famílias a fugir para o mato. Segundo ele, duas pessoas estariam desaparecidas.
O fazendeiro Guilherme Prata negou a destruição das barracas, mas admitiu que forçou a retirada das famílias. Ele também admitiu que os disparos foram feitos como forma de pressão e intimidação aos sem-terra.


