Rio de Janeiro - Atenção se você é daqueles que estão na faixa de baixo risco cardíaco. Novos parâmetros de avaliação devem ser implementados aos já convencionais e podem mudar essa classificação. A recomendação é da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). ''A idéia é tentar identificar quem falsamente foi classificado como de baixo ou de médio risco e antecipar o tratamento'', alerta o cardiologista Jairo Lins Borges, do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo e representante da SBC. Ele participou, na última semana, do Latin Americans Experts Fórum 2009, no Rio de Janeiro, que reuniu especialistas de toda a América Latina.

Segundo o cardiologista, os novos adicionais de risco incluem cinco avaliações - da função renal, do estado pré-diabetes, da íntima média da carótida, da proteína C reativa, e do índice de tornozelo braquial. ''A maior dificuldade é identificar qual exatamente o nível de risco. Há uma tendência a subestimar o risco na população mais jovem e nas mulheres quando se usa apenas o score de Framing'', afirma.

O score de Framing considera fatores de risco clássicos como idade, sexo, obesidade, pressão arterial, colesterol total, nível de HDL (colesterol bom), tabagismo, sedentarismo, estresse, diabetes e casos na família. E é excelente para avaliar os que estão na faixa de alto risco para um evento cardíaco. ''Mas, como a idéia é que a prevenção seja cada vez mais precoce é preciso reavaliar aqueles de baixo risco'', ressalta. Hoje, no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 31,5% dos óbitos são provocados por problemas cardiovasculares. Por ano, são 300 mil mortes e o mal é considerado a maior causa de morte entre a população brasileira.

Para Borges, a população deve conhecer os novos exames para que possa cobrar sua realização. O exame de proteína C reativa, feito através do sangue, já é conhecido, mas, segundo o médico, ainda não é usado de forma generalizada. Esse exame mede o nível de inflamação no organismo, fator de risco para a formação de placas de gordura na artéria e o seu rompimento, o que pode causar infarto.

A avaliação da função renal busca o início de uma alteração no rim, o que aumenta o risco cardiovascular. Isso é feito através de exames simples, como o de perda de proteína na urina e o de creatinina no sangue, que mostra perda de capacidade de filtração. É importante lembrar ainda que, além do risco para o coração, a perda de função no órgão pode evoluir para a necessidade de hemodiálise e até de transplante.

O exame de íntima média da carótida, explica o médico, busca investigar através de ultrassom as três camadas da artéria e a formação de placas de gordura na camada interna. ''Esse exame mostra o estado das artérias. É acessível e barato, mas ainda não dá para massificar'', afirma.

Em relação à investigação de um estado de pré-diabetes, o médico chama a atenção para um exame chamado hemoglobina glicada, que mede o nível de açúcar no sangue nos últimos dois a três meses. O exame é feito em laboratório, mas a previsão é que poderá ser feito com um equipamento portátil, já disponível nos Estados Unidos. A diabetes do tipo 2, doença causada por alimentação rica em açúcar e gordura, é um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares, mas pode ser evitada com hábitos saudáveis.

O índice de tornozelo braquial nada mais é que a relação entre a pressão no braço e na perna, que devem ser iguais. Quando não, pode indicar formação de placas nas artérias, pois o sangue não circula com a mesma velocidade na perna que nos braços.


* A jornalista viajou a convite da Bayer Schering Pharma

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