Diferentes parâmetros de peso e altura em relação à idade fazem parte da nova curva, desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para nortear o crescimento de crianças. Até então a referência eram as crianças alimentadas com leite artificial (fórmula ou leite de vaca) e agora passam a ser as que tiveram aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade.
  A mudança é para melhor - comemoram alguns especialistas, como a pediatra Zuleika Thomson, do Centro de Referência em Aleitamento Materno de Londrina, e a pediatra Elsa Giugliani, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Elsa apresentou a nova curva para profissionais de saúde de Londrina no último mês.
  A novidade ainda não foi implantada no Brasil, mas promete grandes mudanças. A principal, segundo Zuleika, é que a nova curva vai apontar como as crianças devem crescer, ao invés de simplesmente acompanhar o seu crescimento. ‘‘A gente vai passar do padrão descritivo, para o prescritivo’’, aponta a pediatra Elsa Giugliani.
  A nova curva, segundo Elsa, torna as referências de normalidade de peso e altura mais restritas. E aí, crianças que eram consideradas normais em algumas idades pela curva antiga poderão ser consideradas com sobrepeso ou obesas pela nova. Ou o contrário, crianças ‘‘normais’’ poderão ser consideradas desnutridas, mais baixas do que deveriam estar. ‘‘Hoje, esse é um dos grandes problemas do Brasil, crianças com estatura abaixo do normal, reflexo de uma desnutrição crônica’’, explica Elsa.
  Parâmetros mais definidos, aponta a médica da SBP, tornam a nova curva de crescimento ‘‘uma ferramenta melhor em termos de prevenção’’, porque significa uma intervenção mais cedo em casos de sobrepeso, obesidade e desnutrição. ‘‘E neste casos, quanto antes se intervir melhor’’, alerta Elsa.
  O estudo da OMS para desenvolver a nova curva começou, segundo Zuleika, ainda na década de 90. Foram estudadas 8,5 mil crianças de seis lugares do mundo, de diferentes realidades, entre eles o Brasil, mais especificamente Pelotas, no Rio Grande do Sul (RS). Também foram acompanhadas crianças de Ghana (na África), da Índia (na Ásia), da Noruega (na Europa), de Omã (na Ásia) e dos Estados Unidos (América do Norte).
  A amamentação materna, exclusiva até os seis meses de idade e complementada com outros alimentos até um ano, foi o principal dos requisitos para a pesquisa, que ainda incluiu condições financeiras da família para que a criança pudesse ter uma boa alimentação. Tudo isso, explica Elsa, propiciou que as crianças tivessem condições para desenvolver todo seu potencial de crescimento.
  A pesquisa mostrou ainda que muito mais que questões genéticas, são as condições sociais e ambientais que influenciam no fato da criança ter ou não um crescimento pleno. ‘‘A pesquisa mostrou que o crescimento de crianças em condições ideais de nutrição é semelhante, seja no Brasil, na Índia ou na Noruega’’, afirma Elsa.
  Na opinião da pediatra Zuleika Thomson, o fato das crianças amamentadas ficarem como o ‘padrão ouro’ para comparação de peso com as outras reforça a importância da amamentação materna. ‘‘Isso reforça nossa convicção de cada vez mais trabalhar nesse sentido’’, afirma.

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