São Paulo, 13 (AE) - Pela primeira vez em 50 anos, os gastos dos paulistanos com habitação são superiores aos feitos com alimentação, que é a segunda maior despesa. Nos Estados Unidos, o campeão em gastos também é habitação, embora o segundo lugar fique com transportes, o que indica que os atuais padrões de consumo dos paulistanos se aproximam de países do Primeiro Mundo.
A mudança foi detectada pela Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe-USP), durante os meses de julho de 1998 e junho de 1999. A partir desse resultado, a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do município de São Paulo, vai mudar a partir de janeiro de 2000, para refletir, no índice mensal, essa nova composição de gastos. Em dezembro, a Fipe calculará o IPC com a metodologia atual e com a nova, para ter um padrão de comparação.
Hoje, na composição do IPC, o item alimentação representa 31% dos gastos totais. Pela nova metodologia, passará para 22%. Em 1937, quando a pesquisa começou a ser feita, alimentação correspondia a 53% dos gastos. O primeiro lugar ficará com as despesas com habitação, que terão um peso superior
indo dos atuais 26% para 33%.
No item habitação, a Fipe incluirá despesas com telecomunicações, que hoje não fazem parte do IPC. Gastos com TV a cabo, Internet, telefone celular e computadores serão pesquisados e deverão representar 1% das despesas mensais dos paulistanos.
Hoje, apenas gastos com computadores são observados. Eles foram incorporados à pesquisa em 1992, quando da última atualização da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF).
Há outras alterações significativas detectadas pela nova pesquisa da Fipe. As despesas com serviços públicos (água e energia elétrica) terão maior peso no índice a partir do ano que vem, indo dos atuais 8,5% para 12,5%. O crescimento de importância também ocorreu com os gastos com transporte privado, à medida que mais consumidores têm veículos próprios, saltando dos atuais 8% para 10,5%. Saúde (notadamente medicamentos e planos de saúde), é outro item que terá peso maior, indo de 4,5% para 7%.
A mudança de hábito dos moradores da cidade também pode ser observada no item alimentação fora do domicílio que ganhará maior importância a partir de 2000, passando dos atuais 3,6% para 4,5%. As campanhas antitabagismo também provocaram alterações na pesquisa. O item fumo que tem peso atual de 2,3% vai ser reduzido para apenas 1,4%. Vestuário também caiu: dos atuais 8,6% para 6%.
Ruptura - Segundo o diretor da Fipe, Juarez Rizzieri, ao mudar a metodologia do IPC, está se promovendo uma "ruptura" em relação à pesquisa atual. "A mudança do padrão de vida é dramática", disse, admitindo que uma comparação entre os índices deste ano e do próximo será prejudicada.
Segundo ele, é impossível fazer uma atualização da série histórica do IPC à medida que 60 novos bens e serviços, que não são pesquisados hoje, serão acompanhados mensalmente. "O índice atual mede a inflação atual. O próximo vai medir essa nova conjuntura", afirmou Rizzieri.
Aos 343 bens e serviços pesquisados no momento, serão somados outros 60. O universo pesquisado também será ampliado. Hoje, são 3.200 estabelecimentos comerciais, mas outros 400 ou 500 serão incorporados à pesquisa. O IPC continuará refletindo os gastos das famílias com renda até 20 salários mínimos, que corresponde a 90% das famílias paulistanas.

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