Rio - As buscas ao corpo do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, revelaram a existência de um grande cemitério clandestino no alto da Favela da Grota, zona norte do Rio, onde os inimigos do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, são enterrados. Eles esquartejam e queimam as vítimas para dificultar a identificação. No local foram recolhidos muitos ossos carbonizados, que estão em exame no Instituto Médico Legal (IML). Ontem foram encontrados mais fragmentos, que podem ser do corpo de Lopes, executado pelo traficante.
As buscas – acompanhadas, de longe, por olheiros do tráfico – se concentraram na mesma cova onde, na terça-feira, foram encontrados objetos pessoais e a microcâmera usada por Lopes. Foram recolhidos fragmentos de ossos com sangue e pele, o que significa que pertencem a uma pessoa morta recentemente – o repórter teria sido morto no dia 2, segundo informações da polícia. Havia ainda massa encefálica, projéteis de armas de fogo e pedaços de roupas.
O delegado Carlos Henrique Machado, da Delegacia de Homicídios, acredita que os restos humanos encontrados ontem podem ser do repórter. ‘‘Provavelmente, a cova foi usada para enterrar mais de um cadáver e um deles pode ser o de Tim Lopes.’’ O material passará por exame de DNA e o resultado pode demorar até um mês.
Exames constataram que as arcadas dentárias e o crânio encontrados anteontem não eram de Lopes, embora o secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, tenha afirmado com ‘‘99% de certeza’’ que os pedaços de ossos achados eram do jornalista.
A cinquenta metros da suposta cova onde estavam os pertences de Lopes, tinham sido enterrados mais ossos carbonizados e também sapatos de mulher. No mesmo local, antes de morrer, os inimigos são julgados por uma espécie de tribunal, no qual o jurados e os juízes são os próprios bandidos. Após a condenação, os inimigos dos traficantes são executados, queimados e enterrados. ‘‘São casos que acontecem diariamente e ninguém fica sabendo, nem a polícia, nem a sociedade. Só as famílias que perdem as pessoas é que sentem’’, disse o delegado Bruno Gilaberte.
No Complexo do Alemão, onde fica a Favela da Grota, policiais aprenderam quatro mil porções de maconha, cerca de 10 quilos de cocaína, um fuzil G-3 de fabricação alemã, duas granadas defensivas e uma outra de efeito moral com inscrições das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), além de carregadores com munição calibre 762.
Protesto- O Sindicato dos Jornalistas do Rio organizou ontem mais uma manifestação no centro da cidade para cobrar ‘‘mais ação do poder público no combate ao crime e proteção da cidadania’’.

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