Rio, 17 (AE) - A cada dia surgem novas dúvidas sobre o assassinato do coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, de 61 anos, ex-secretário da Polícia Militar do RJ no governo Leonel Brizola, no dia 14, no hall do edifício Magnus, no Centro do Rio. Os exames da perícia apresentam resultados incompletos e as investigações apontam contradições - o sargento da PM Sidney Rodrigues , que atirou em Cerqueira, teria tentado o suicídio depois do crime ou vigilantes, que teriam testemunhado a morte de Cerqueira, mataram o sargento.
De acordo com o laudo de balística, divulgado hoje à tarde, três projéteis, incluindo o que matou o coronel, saíram da arma que estava com o sargento. Ma o texto não apontou se o quarto disparo teria sido feito por Rodrigues. Com isso fica a dúvida se Rodrigues teria tentado suicídio ou se uma terceira pessoa teria participado do crime. Além disso, exames mostraram vestígios de pólvora nas mãos de dois seguranças que testemunharam o assassinato.
Dentro da cúpula do PDT, partido ao qual o coronel era filiado, cresce a suspeita de que o crime possa ter sido político. "Ele (Sidney Rodrigues) foi o executor de alguma coisa planejada, não foi um ato de um simples maluco", afirmou o líder do PDT na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Paulo Ramos. "Foi um crime elaborado e bastante estudado."
Em dezembro passado, Cerqueira foi convidado pelo governador Antonhy Garotinho para trabalhar na área de segurança de seu governo. A intenção era promover uma "limpeza ética" na polícia, que seria dirigida por Cerqueira, um defensor dos direitos humanos e que, nas duas gestões de Brizola, ganhou muitos inimigos por isso. A amizade do coronel com o ex-governador Nilo Batista o fez rejeitar o convite. Batista e Garotinho não se relacionavam desde eleições de 1994, quando Batista, então governador, nomeou para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) o então deputado José Nader, acusado de corrupção. Na época, Garotinho concorria à eleição para o governo do Estado e achava que a nomeação poderia prejudicá-l. Mesmo assim, Nilo Batista não lhe deu ouvidos.
Recentemente, Cerqueira revelou a correligionários que estava insatisfeito com a política de segurança de Garotinho. Segundo o líder do PDT, o coronel achava que o governador estava explorando seus projetos políticos, como o atendimento especializado ao turista e o policiamento comunitário. "Ele (Cerqueira) estava se sentindo muito constrangido, principalmente porque via seus projetos sendo usados por pessoas que nunca tiveram ligação com a polícia, como o Luiz Eduardo Soares", afirmou Paulo Ramos.
Críticas - Hoje Brizola criticou a forma como as investigações vem sendo feitas. "Não queremos nenhum tipo de açodamento nas apurações, esperamos que a polícia faça um levantamento amplo, profundo e conclusivo", disse. Pela manhã, o próprio governador Anthony Garotinho (PDT) ventilou a possibilidade de haver outra hipótese para a morte de Cerqueira além da sustentada inicialmente pela Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Exoneração- O coronel Carlos Alberto Guedes, comandante do 12º Batalhão da PM (Niterói), onde estava lotado o sargento Rodrigues, foi exonerado. Guedes declarou durante o enterro de Cerqueira que o sargento não apresentava sinais de esquizofrenia e estava apto para fazer trabalhos externos.

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