São Paulo - O Ministério da Saúde avalia novas mudanças nos critérios utilizados para identificar os casos de microcefalia e outros efeitos do vírus da zika em recém-nascidos. Agora, a ideia é que sinais e sintomas de possíveis danos neurológicos sejam também incluídos como critérios de triagem de bebês, mesmo que não haja suspeita de microcefalia.
A alteração ocorre após um estudo publicado na revista Lancet na quarta-feira mostrar que um em cada cinco bebês com infecção "provável" ou confirmada pelo vírus da zika e com danos neurológicos não tinham microcefalia - quadro definido pelo perímetro menor da cabeça do que o esperado ao nascer.
A pesquisa analisou dados e resultados de exames de 1.501 recém-nascidos investigados entre novembro de 2015, mês com o maior número de notificações de suspeitas de microcefalia, e fevereiro deste ano. Destes casos, 899 foram descartados para possíveis danos neurológicos e infecções por zika. Outros 602 ganharam novas classificações em categorias como definitiva, altamente provável, provável e pouco provável para o zika.
"Há um grande percentual que não tem a cabeça pequena. Isso muda um pouco essa ideia de que zika é só microcefalia", disse o pesquisador Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), um dos autores do estudo.
Para o ministério, o estudo confirma que os critérios hoje utilizados - que incluem a medida da cabeça e relatos de manchas vermelhas na gestação - são "insuficientes" para identificar as consequências de uma possível infecção pelo vírus.

mockup