Novos consórcios devem disputar Comgás
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sábado, 10 de abril de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 10 (AE) - Às vésperas da privatização, esquenta a disputa pela maior distribuidora de gás canalizado do País, a Comgás. Dos grupos habilitados, acredita-se que surgirão pelos menos três consórcios, que estarão sendo costurados até a véspera do leilão, marcado para quarta-feira (14).
Dois pontos estão sendo alvo de considerações dos investidores. O primeiro diz respeito às regras de reajuste das tarifas do gás canalizado depois do quinto ano da concessão. Ao longo dos cinco primeiros anos, de acordo com o contrato, a correção será feita apenas pela inflação.
A questão, segundo uma fonte envolvida na privatização, é que o contrato de concessão se limita a dar as linhas gerais das correções tarifárias, sem fixar números.
A intenção teria sido de não o engessar demais. Ma a sensação que ficou entre os concorrentes é que os futuros reajustes nas tarifas poderão ser feitos aleatoriamente.
O secretário de Energia do Estado de São Paulo, Mauro Arce, confirmou que a chiadeira dos participantes foi grande. De acordo com ele, a preocupação seria com uma possível redução das tarifas. Como a remuneração dos serviços está relacionada ao valor dos ativos, os grupos acreditavam que poderia haver queda, uma vez que a Comgás está registrada contabilmente pelo valor de R$ 530 milhões, aproximadamente, e o preço mínimo da empresa foi fixado em R$ 1,4 bilhão. "Mas a questão já foi devidamente esclarecida." Para alguns investidores, a falta de regras não se constitui um problema porque eles têm a percepção que poderão negociar os contratos mais adiante.
Outros, entretanto, preferem as coisas mais preto no branco. A ausência de algo mais definido poderia os levar a agir de maneira mais conservadora no leilão, segundo especialistas do setor, que ressaltam, porém, o fato de ser bastante comum, às vésperas de um leilão de privatização, uma certa movimentação para baixar o preço da empresa a ser vendida.
O segundo ponto que vem sendo considerado pelos investidores em relação à Comgás diz respeito à participação da Petrobrás Distribuidora no leilão. O Programa Estadual de Desestatização (PED) proíbe empresas estatais de fazer parte do bloco de controle de companhias privatizadas. De acordo com Arce
não haveria motivos para a desqualificar no processo de habilitação, uma vez que não se sabe como será a participação dela no leilão. A formação final somente será conhecida na terça-feira (13), às 19h30, comentou, e nada impede que ela tenha um participação minoritária em algum consórcio. O presidente da estatal, Orlando Galvão, afirmou ontem (09) que a empresa não participaria do leilão.
Devem disputar a Comgás a Shell do Brasil, Agip Liquigás
a Gás Natural, Iberdrola, Enron, YPF, British Gas, CMS, CPFL, a EDP, entre outros.
Outra movimentação vem sendo feita com os trabalhadores da Comgás. "Os funcionários estão sendo assediados por instituições financeiras interessadas em comprar as ações que eles têm direito de adquirir com deságio", disse o diretor do banco InterAmerican Express Ricardo Vianna, assessor do clube de investimentos dos empregados da Comgás, Gasinvest.
Ele explica. Os trabalhadores podem comprar até 10% do capital social da distribuidora de gás, sendo que parte das ações preferenciais será vendida com deságio de 60%. O Gasinvest foi criado em 1997 e tem adesão de 1,2 mil trabalhadores. Outros clubes estão surgindo de última hora, com ofertas irreais aos trabalhadores, que assinam uma procuração em branco para vender as ações. Na prática, tais instituições vão se apropriar de um ganho do funcionário.


