Novos caminhos facilitam ANGIOPLASTIA
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de outubro de 2008
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Diferentes vias de acesso para fazer intervenção coronária percutânea, procedimentos mais conhecidos como cateterismo e angioplastia, ganham espaço no País. O objetivo é trazer não só mais conforto ao paciente, mas segurança, com uma redução drástica do risco de complicações. Em Londrina, no Hospital do Coração, o percentual dessas ''novas'' técnicas já chega a 90% do total de procedimentos e a experiência foi publicada em artigos em revistas reconhecidas nacional e internacionalmente.
Esse tipo de procedimento, segundo o cardiologista intervencionista André Labrunie, é feito naqueles pacientes que tem obstrução de alguma das artérias que irrigam o coração. Pode ser um procedimento eletivo, quando o paciente tem parte da artéria obstruída, ou de emergência, como o caso de um infarto agudo do miocárdio, quando parte do músculo cardíaco deixa de receber sangue. Para o diagnóstico, explica o também cardiologista intervencionista Pedro Beraldo de Andrade, é feito o cateterismo, e para o tratamento, a angioplastia, normalmente associada à colocação de stent, espécie de mola metálica que desobstrui e dilata as artérias.
Segundo os especialistas, no Brasil, mais de 90% dessas intervenções são feitas via femoral, localizada na perna. Mas é no braço direito que estão localizadas vias que apesar de ainda não serem tão usadas apresentam muito mais benefício ao paciente. Elas são a radial e ulnar, na região do punho, e a braquial, no cotovelo.
''Nosso trabalho há dez anos tem sido aprimorar as vias de acesso pelo braço, porque isso diminui o risco de complicações vasculares'', afirma Labrunie. Os riscos, que segundo a literatura podem ocorrer em 1% a 14% dos casos, incluem sangramento, hematomas e aneurismas - problemas que normalmente exigem cirurgia corretiva, transfusão de sangue e mais tempo de internação hospitalar. ''São situações que até podem desencadear óbito'', alerta Labrunie. Com o uso das vias de acesso pelo braço o risco cai para menos de 0,5%. ''É praticamente eliminado'', ressalta Andrade. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), por ano são cerca de 120 mil procedimentos coronários percutâneos por ano no Brasil.
A técnica via femoral é bastante utilizada até hoje, segundo os especialistas, porque o acesso é mais fácil para o operador por ser uma artéria mais calibrosa e por características anatômicas. E também é necessário um processo de aprendizem para o uso das vias de acesso pelo braço. Mas, por qualquer uma deles, garantem os médicos, os resultados são eficazes. Ainda no caso da via femoral, um dos desconfortos para o paciente é a necessidade de ficar de quatro a seis horas deitado, com a perna esticada e sem poder se mexer. ''Para o idoso, principalmente, isso implica um sacrifício grande'', avalia Andrade.
Os artigos foram publicados na última edição da Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva (RBCI), periódico da SBHCI, no Journal of Intervencional Cardiology, e citados no site americano TCTMD (The Comprehensive Cardiology and Interventional Resource).
Fonte: André Labrunie e Pedro Beraldo de Andrade, cardiologistas intervencionistas


