São Paulo- Cerca de dois milhões de paulistanos foram afetados pela nova onda de atentados desencadeada pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Sem ônibus, que deixaram de circular após mais de cem serem incendiados, a população ficou a pé. Na madrugada e manhã de ontem, a organização criminosa manteve os ataques a agências bancárias (16 no total), bases e casas de policiais e intensificou suas ações pelo interior e pelo litoral. Em uma delas, um menino de 2 anos acabou virando o alvo: foi atingido por uma bomba incendiária dentro do ônibus e teve boa parte do corpo queimado.
O comandante-geral da PM, coronel Eliseu Eclair Teixeira, admitiu que os ônibus são o principal alvo da nova série de ataques promovida pelo PCC. Dos 106 ataques contra 121 alvos registrados até as 12h de ontem em todo o Estado, 68 foram incêndios ou disparos contra ônibus -mais de 64%.
Na tentativa de reprimir os ataques, PMs de uma tropa de elite da corporação serão colocados -armados e à paisana-entre usuários de ônibus das 20 principais linhas da cidade. Eles também trabalharão na escolta de ônibus e no policiamento ostensivo.
Para o coronel da PM, os incendiários são principalmente rapazes com idades entre 18 e 20 anos. Para ele, os crimes foram ''terceirizados''.
Em entrevista na sede do Comando Geral da PM, no centro de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (PFL) descartou a hipótese de que parte dos ataques contra ônibus tenha sido encomendada por empresários rivais ou cooperativas de vans e microônibus. ''A origem é o PCC, é o crime organizado.'' Ele anunciou a criação de um grupo de estudo que irá mapear os ataques e determinar ações preventivas.
Os ataques em São Paulo são comparáveis a atos de grupos terroristas, diz o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Para Monteiro, as ações do PCC evoluíram para um novo padrão. ''Eles atuam coordenados, estão organizados em redes, as ações ocorrem simultaneamente em diferentes pontos da cidade e atingem múltiplos alvos civis. Essa estratégia de atuação é a mesma usada por grupos como Al Qaeda e Hezbollah'', comparou.
A intenção do PCC é espalhar a sensação de pânico e medo e, assim, obrigar as autoridades a fazerem acordo, diz o professor. ''Esse tipo de ação é extremamente difícil de ser combatida. Teremos de ficar reagindo indefinidamente'', afirmou Monteiro. Para ele, a Força Nacional de Segurança tem pouco a acrescentar em ''termos operacionais''. ''O efeito seria meramente psicológico. E correríamos o risco de queimarmos uma de nossas últimas reservas''.

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