Pelo menos 10% dos casos de infertilidade no casal são de origem desconhecida. Nos homens, há casos em que o exame de espermograma parece normal, mas os espermatozóides apresentam defeitos no seu DNA (a sigla em português da molécula que carrega as informações genéticas). Agora esses danos na célula sexual masculina podem ser detectados, permitindo alguma forma de tratamento da infertilidade.
Por meio de um equipamento chamado citômetro de fluxo, especialistas em medicina reprodutiva analisam o DNA e a capacidade de sobrevivência dos espermatozóides.
''Exames convencionais do sêmen indicam apenas a qualidade da amostra no momento da coleta. A apoptose, isto é, a morte celular programada, é responsável pela fragmentação do DNA, levando à infertilidade masculina. Isso significa que espermatozóides aparentemente normais podem apresentar defeitos. Agora isso é detectado'', diz o especialista em reprodução humana Marcello Valle, e médico da Maternidade Escola da UFRJ e da Clínica Origen.
Valle e sua equipe estão fazendo estudos com o citômetro para saber o índice de espermatozóides com falhas de DNA na população de homens inférteis no Brasil. E os especialistas querem saber ainda se essas falhas são as mesmas encontradas em populações da Europa e dos Estados Unidos.
''Nesses casos, alguns procedimentos podem ser indicados para tratar a infertilidade masculina, como a retirada de espermatozóides diretamente dos testículos por meio de biópsia aberta ou punção aspirativa. Essas células têm melhor qualidade. Outra saída é tentar melhorar a qualidade do sêmen com o uso de vitaminas e minerais antioxidantes'', diz o médico.
Além de danos no DNA dos espermatozóides, Valle explica que uma das principais causas de infertilidade masculina corrigível é a varicocele, uma dilatação anormal das veias, semelhante a varizes, que drenam o sangue do testículo.

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