Novo superintendente do HC quer reduzir gastos com medicamentos
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 12 (AE) - O novo superintendente do Hospital das Clínicas, José DElia Filho, quer reduzir em até 15% os gastos da instituição com medicamentos. O corte seria obtido com a revisão no preço dos remédios. O superintendente, que assumiu oficialmente o cargo hoje, já solicitou encontros com representantes da indústria farmacêutica para discutir o tema. "Vamos fazer reuniões individuais com os fabricantes, pedindo, em muitos casos, a abertura das planilhas para verificar como o valor de venda é calculado", explicou.
Primeiro superintendente não-médico do Hospital das Clínicas, o engenheiro DElia Filho trabalhou durante 22 anos na Metal Leve e, nos últimos dois anos, na Baxter Hospitalar. "Estou passando da função de fornecedor para a de consumidor", brincou. Por conhecer o setor, ele afirma que muitos produtos não necessitam ter o preço reajustado pelo dólar. "Alguns medicamentos levam sais importados, mas há em sua composição, também, material produzido no Brasil", afirmou. "Não podemos aceitar que os preços sejam proporcionais à desvalorização do real."
Há outros pontos que também precisam ser negociados, afirmou DElia. Entre eles está qual a taxa de câmbio que deve ser usada para definir o preço dos remédios. O superintendente também já encomendou uma pesquisa para saber quanto instituições médicas de ensino de outros países pagam por determinados remédios. "Precisamos ter o máximo de informação sobre o tema"
explicou. Caso as negociações não tomem um rumo adequado, DElia poderá rever os contratos ou fazer novas concorrências.
Campanha - DElia também pretende preparar uma campanha entre os médicos, para que procurem economizar tanto na prescrição de medicamentos quanto na recomendação de exames. "Em muitos casos, um exame de tomografia pode ser tão útil quanto um de ressonância magnética", afirmou. "Peço parcimônia
mas respeitando sempre a segurança e o tratamento adequado dos pacientes", completou.
Além de reduzir os custos, o novo superintendente quer informatizar o almoxarifado, com o objetivo de controlar a quantidade exata de material recebido. "Vamos evitar o desperdício e controlar onde e quando usamos os produtos."
O superitendente também pretende melhorar a política de recursos humanos. Planos de carreira e cursos deverão ser feitos para funcionários. "A cada dia, novos aparelhos são adquiridos e é preciso que todos saibam utilizá-los de forma adequada." Existem, ainda, outras metas. Entre elas, a criação de uma ouvidoria para registrar as queixas e as sugestões de pacientes ambulatoriais e internados.


