Brasília, 18 (AE) - As operadoras de telefonia convencional e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda divergem sobre o início da competição nas ligações de longa distância (interurbanos). Somente na próxima sexta-feira a agência deverá decidir se haverá um período de teste em algum Estado do País por uma semana, que se iniciaria no dia 27 de junho. Caso isto ocorra, a nova forma de se fazer interurbanos em todo o Brasil terá início no dia 4 de julho, uma semana depois da data anunciada na semana passada pela Anatel.
A agência começa amanhã a sua campanha nacional pela televisão para esclarecer a mudança para os cerca de 77 milhões de usuários de telefones fixos no País. "Imaginar que não haverá problemas no início seria ingenuidade, mas as dificuldades serão logo contornadas", afirmou o presidente da agência, Renato Navarro Guerreiro. Nas próximas semanas começarão as propagandas de cada uma das 10 empresas de telefonia em operação no País. A mudança na forma de se fazer ligações interurbanas não irá afetar as chamadas feitas por meio dos aparelhos celulares.
Ainda não está definido também se haverá um grande centro nacional de atendimento ao usuário, compartilhado por todas as empresas, para esclarecer as dúvidas. Os empresários também divergem sobre a aplicação da medida nas áreas com mesmo código DDD. A Telefônica, por exemplo, quer um período de transição indefinido em que se poderá usar os dois métodos de interurbano nas áreas com mesma numeração.
O presidente da Anatel esclareceu hoje que, por um período de 30 dias, as chamadas feitas entre municípios distantes que usem o mesmo código DDD (que são tecnicamente consideradas interurbanas) poderão ser feitas também da forma antiga, ou seja, sem a necessidade de identificar a operadora e o código da área. Depois deste prazo, as chamadas serão interceptadas por gravações anunciando a necessidade de discar os novos algarismos. A decisão beneficiará os 15 Estados e o Distrito Federal, que têm um mesmo código para todo seu território.
Além disso, a exceção aberta pela Anatel terá efeito entre os cerca de 80 municípios da Grande São Paulo que usam o código 011. Uma ligação feita entre São Paulo e Jundiaí, por exemplo, que hoje não necessita o uso do 011, passará a demandar os os dois algarismos da operadora (21 para Embratel e 15 para Telefônica, até o momento) e o código 11. Caso o usuário, no primeiro mês, não use esta opção, a ligação será completada. "Acreditamos em um mês é tempo suficiente para esclarecimentos do usuário", afirmou Guerreiro.
A Anatel não pretende alterar por um período também não definido a forma atual das ligações entre cidades que dividem a mesma região urbana. É o caso do Rio de Janeiro e Niterói, Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais, ou São Paulo e a Região do ABC. Entre estes locais, as ligações são feitas como se fosse uma chamada local, apesar de a tarifa ser mais cara. Só com a cidade de São Paulo existem 37 municípios que não terão sua forma de ligação alterada.

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