Brasília, 19 (AE) - O novo secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, assumiu o posto hoje para servir de "ponte" entre os colegas parlamentares e o presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Os Congressistas não são vaquinhas de presépio, têm pontos de vista, mas não têm faltado ao presidente", afirmou. Ferreira deixa para trás na Câmara a relatoria da reforma do Judiciário, sem, contudo, se eximir da responsabilidade pelo andamento, uma vez que a reformulação da Justiça foi indicada como uma das prioridades no Congresso pelo presidente. O secretário-geral não sabe ainda qual sala ocupará no Palácio do Planalto, mas estreou no cargo promovendo uma reunião com os líderes do governo. "Minha nova função é falar pouco publicamente e atuar muito nos bastidores", definiu. Pergunta - Como será o trabalho da secretaria e como será essa operação casada com o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga? Aloysio Nunes Ferreira - É uma soma, é uma união na área de articulação política. Não dá para prescindir da competência, da experiência do ministro Pimenta da Veiga na área. Nós vamos trabalhar juntos. Pergunta - O presidente afirmou que seu trabalho é o de facilitar o trânsito com o Congresso. Como será feito isso? Ferreira - O Congresso nunca negou apoio ao presidente da República, isso é que é a verdade. Agora, evidentemente, o Congresso não é composto de vaquinhas de presépio. Ele é composto de pessoas que têm pontos de vista, com representatividade para os expressar, há muitos partidos. Muito frequentemente, as iniciativas do presidente são por isso modificadas, mas o Congresso não tem faltado ao presidente. Pergunta - Quais as prioridades na aprovação de reformas? A reforma tributária, como falou o presidente? Ferreira - Todas são. A reforma tributária é uma prioridade da nação, o governo está trabalhando muito junto com o Congresso. É claro que os governadores e os prefeitos têm de estar muito junto e presentes, o pacto federativo terá de ser reestudado. Pergunta - Com sua nomeação para a Secretaria-Geral, não ficará atrasada a reforma do Judiciário? Quem será o novo relator? Ferreira - A designação do relator caberá ao presidente da comissão (deputado Jairo Carneiro do PFL da Bahia). Mas acredito que o acordo político vai manter a relatoria com o PSDB. A mudança não vai prejudicar o andamento dos trabalhos. Pergunta - O PMDB saiu magoado com a reforma ministerial? Ferreira - O PMDB é um grande partido, tem tradição de lutas, uma marca na vida política do País. Está perfeitamente integrado ao governo e vai me ajudar no trabalho, como tem ajudado o presidente. Pergunta - Como foi a articulação dessa reforma? Ferreira - O modelo dessa reforma, o tipo de articulação, tem algumas diferenças em relação a outras mudanças. A reforma foi realizada levando em conta as avaliações do presidente, dele próprio. Ele levou em conta a correlação política de sua base de apoio. Mas os partidos tiveram tratamento igual nessa reforma. Pergunta - Nenhuma das principais lideranças do PSDB prestigiou a posse dos novos ministros. Os tucanos não gostaram da reforma? Ferreira - O PSDB gostou da reforma. Foi o que o presidente (senador) Teotônio Vilela Filho (AL) me disse.

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