Rio, 16 (AE) - Uma revisão completa do sistema penitenciário no Rio, da alimentação à transferência dos presos, será uma das primeiras providências do jurista João Luiz Duboc Pinaud, que assume na quarta-feira (19) o cargo de secretário de Justiça do Estado. "Esta é uma das preocupações fundamentais", disse Pinaud hoje, quando questionado sobre as denúncias contra o empresário Jair Coelho, dono da Brasal, fornecedora de "quentinhas" para 21 mil presos do Estado.
A distribuição de quentinhas foi feita durante mais de um ano, sem licitação. O Ministério Público (MP) investiga se a Brasal pagava propinas a altos funcionáiros do governo estadual para garantir o monopólio na entrega da alimentação dos presos. Coelho é acusado também de ter apresentado Títulos da Dívida Agrária (TDAs) inexistentes como garantia em contratos firmados com o governo do Rio.
Pinaud ressaltou que, por enquanto, está reunindo todas as notícias sobre irregularidades, para, a partir de quarta-feira, estudar as primeiras medidas a serem tomadas. O jurista, que se notabilizou pelos movimentos em defesa dos direitos humanos, lembrou que a escolha e seu nome "foi técnica e não política".
Garotinho anunciou a intenção de acabar com o sistema de entrega de "quentinhas" nos presídios. As refeições voltariam a ser feitas pelos presos, nas cozinhas das penintenciárias. A comida das prisões do Estado eram de responsabilidade de cada presídio, mas há oito anos o governo estadual optou pela terceirização porque as cozinhas das cadeias tornaram-se focos de muitas e sucessivas rebeliões.
Uma investigação sobre o possível envolvimento de diretores do Departamento do Sistema Penintenciário (Desipe) na fuga de presos também estará entre as preocupações de Pinaud à frente da Secretaria de Justiça. A Coordenadoria de Investigação de Apoio Policial (Cinap) investiga se o vice-diretor geral do Desipe, Antônio José dos Santos, fez parte do esquema de facilitação de transferência de bandidos perigosos, passando dos presídios de segurança máxima para cadeias menores. Há denúncias
não comprovadas, de que Santos cobrava para providenciar as transferências. O vice-diretor defende-se dizendo que tudo é vingança de agentes penitenciários denunciados por ele.

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