México - Juan Diego, a quem a tradição atribui ter recebido mensagens da Virgem de Guadalupe, é o primeiro santo americano de origem indígena.
O novo santo teria vivido entre 1474 e 1548, e segundo as crônicas ouviu no monte de Tepeyac, onde se adorava a deusa asteca Tonantzin, ''um canto que não era deste mundo''.
Esse canto foi anterior à primeira aparição da Virgem, que lhe encomendou dizer ao bispo, Juan de Zumárraga, que lhe edificassem um templo no monte.
Como não acreditaram embora certa vez a Virgem teria depositado em seus braços um ramo de rosas, que não existiam no local , a 12 de dezembro apareceu a imagem estampada em sua manta, e esse é o dia em que milhões de mexicanos comemoram a aparição da Virgem Morena.
Ao índio é atribuído o milagre de ter salvo a vida de um mexicano de 19 anos, em 1990, o qual teve a cabeça quebrada. Sua cura, que os médicos qualificaram de inexplicável, foi estudada pela Congregação para a Causa dos Santos e sustentada com radiografias de antes e depois do restabelecimento.
As primeiras pesquisas para comprovar a existência de Juan Diego datam do mesmo século XVI, e as para defender sua causa começaram em 1978.
Houve espinhos nesse caminho para a santificação, já que historiadores, antropólogos e até religiosos questionaram a existência de Juan Diego cujo nome indígena seria Cuauhtlatóhuac embora os experts convocados pelo Vaticano concluíssem que sua biografia corresponde à realidade.
Além desse reconhecimento aos nativos mediante a canonização de Juan Diego, o Papa beatificará hoje os índios Juan Bautista e Jacinto de los Angeles, cultuados em povoados de Monte Santo (Oaxaca, sul), onde foram sacrificados.
Os dois são conhecidos como fervorosos defensores da fé católica, e foram martirizados por denunciar um grupo de indígenas que continuava adorando os antigos deuses pré-hispânicos.

mockup